04 maio 2026

MARCAS DE UMA IGREJA DOENTE

 

Depois de mais de dois mil anos de cristianismo. Depois de tantos concílios universais da igreja. Depois de tantos milhares de livros escritos sobre toda a teologia, esbarramos no sec. XXI com uma igreja doente. Deveria estar sadia, viçosa e madura, mas se encontra raquítica, doente e vem perdendo sua força a cada geração. Sua importância é questionada e seu valor posto à prova. Igreja por natureza é um corpo vivo, atuante e transformador. Seus membros devem crescer pela Palavra e testemunho. A igreja deve marcar mais pelo contraste do que pela semelhança. Mas em nossos dias ela vem se igualando ao mundo e oferecendo exatamente o que o mundo já tem e não satisfaz. Gostaria de analisar algumas marcas que aponta para uma igreja doente.

1 – Gigantismo em Lugar de Crescimento.

Hoje o padrão para se avaliar a benção sobre uma comunidade é o número de frequentadores. Não importa se são salvos ou não, mas se está cheio. Tomando este padrão como norma para as épocas da igreja, veremos que o próprio fundador da igreja foi um fracasso, pois, deixou somente 120 discípulos e estes medrosos. Se tomarmos este padrão para o mundo árabe, veremos que os missionários que trabalham por lá a mais de vinte anos são fracassados, pois, suas congregações são compostas por pouquíssimos convertidos nativos. Não sou contra congregações grandes, sou contra a despersonalização que elas geram. Os membros deixam de ser ovelhas e tornam-se estatísticas. Tem sites de igrejas que mostram, como se fosse um troféu, o número de membros arrolados com dizeres mais ou menos assim: “hoje já somos tantos milhares...”. Com isso querem mostrar que o Senhor é mais bondoso com eles que com as demais congregações? Esse gigantismo é uma distorção gritante do que a Palavra diz. A Palavra diz que a igreja é um corpo ajustado com cada parte ajudando as demais no exercício de suas funções. Os dons são distribuídos visando o crescimento do corpo. Mas a antítese do gigantismo vivido atualmente é a inanição dos membros. Estes não crescem na proporção do número de membros. São crianças espirituais e crianças não trabalham, dão trabalho. Abraçam qualquer ensinamento de forma acrítica e vivem de onda em onda. A igreja está doente porque aceita ser medida pelos padrões de desempenho empresarias, mundanos que pelos padrões de Deus. Está doente porque confundiu gigantismo com crescimento.

2 – Muito Dinheiro Investido em Prédios e Pouco em Missões.

Se fizéssemos uma análise do valor patrimonial das 20 maiores igrejas nos pais ficaríamos estarrecidos com quantos milhões de Reais estão invertidos em templos suntuosos. Cada vez mais as igrejas buscam prédios maiores com o argumento que precisam de maiores espaços para acolher seus membros. Esquece-se que cada novo templo, por maior que seja já nascerá pequeno, pois, o crescimento natural da congregação inviabilizará qualquer empreendimento imobiliário. Alguns líderes afirmam que possuem um patrimônio de tantos milhões de dólares, como se fossem deles tais igrejas. Outro dia ouvia um sermão de um apóstolo, dos mais insanos possíveis, no qual dizia que havia construído uma igreja de

R$ 35.000.000,00 no meio de uma floresta tropical. Ele se gabava do fato de ter nascido no nordeste e agora estar onde está. Paulo pensava o contrário quando disse: “Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo”. I Cor. 15:10. Paulo sempre apontava para a graça de Deus. Nunca achou que nele havia algum bem ou valor, mas sempre a graça. Ele foi enfático neste versículo quando disse: “todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo”. Paulo sofria e lutava para que Cristo fosse formado em seus ouvintes. “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”. Gal. 4:19. Quando investimos em pessoas os ministérios acontecem, os dons de ajuda mútua emergem e a obra expande. A igreja está doente porque olha para dentro de si mesma enxergando somente suas necessidades e esquece-se de olhar para a seara que está branca e pronta para ceifa. Vejo os relatórios da convenção da qual faço parte e fico estarrecido com os valores aplicados em missões. Acredito que o executivo regional desta convenção deva ganhar um pouco menos do que o total investido em missões no estado. Não sou contra remunerar bem pessoas que se esforçam para o crescimento do Reino. Mas a necessidade de um não pode ser mais significativa que de todo um estado. O erro está em investirmos pouco, muito pouco em missões. Nunca soube de um alvo missionário para envio de 100 missionários para missões em um ano específico. Sempre os alvos são financeiros e estes, salvo engano, nunca são alcançados, porque a igreja não tem consciência missionária. A igreja está doente porque acredita que possuindo prédios gigantescos estará influenciando o mundo e mesmo o salvando. A igreja está doente porque já não mais chora pelos perdidos e seus destinos, mas se alegra com um capitalismo travestido de espiritualidade. A Igreja está doente porque perdeu seu grande alvo, o mesmo de Cristo, buscar e salvar o perdido.

3 – O Pragmatismo é Mais Importante Que a Palavra.

Fomos assaltados pelo pragmatismo. Se funciona deve ser de Deus. Não perguntamos se está de acordo com a Palavra. Deu resultado esqueça o resto. Um pregador pela televisão disse que não estava pedindo dinheiro naquele mês, em seus programas, porque muitos haviam ofertado para seu ministério depois que um profeta havia prometido uma unção financeira ilimitada por R$ 900,00. Deve ter entrado muito dinheiro mesmo depois de tal profecia para que tal pregador jogasse no lixo a razão, a consciência e a Palavra. Isso é pragmatismo ao extremo. Parece-me que para tais pessoas os meios justificam os fins. Nem tudo que funciona vem de Deus. Nem tudo que dá certo tem apoio na Palavra. Temos um exemplo dramático no Antigo Testamento. Israel quando saiu do Egito não se dispersou no deserto porque adorou o bezerro de ouro. Um fim foi alcançado, a não dispersão, mas ao preço de sacrificar a comunhão com Deus. O pragmatismo sacrifica a Palavra no altar do erro e do oportunismo.

A igreja está doente porque aceita os resultados sem prová-los pela Palavra. A igreja está doente porque a Palavra foi preterida como regra de fé e prática.

4 – Emoção Sim, Razão Não.

Os cristãos modernos são chorosos, gritadores, histéricos menos racionais. Os pastores, não em sua totalidade, incentivam a irracionalidade e a emoção extrema como forma de espiritualidade. Acham que se o povo gritar e pular é porque o Espírito Santo está agindo. Não me entendam mal. Creio que a presença de Deus pode mexer com todo nosso ser e podemos ter reações não convencionais, como aconteceu na época de Jonathan Edwards (1734). Mas somente emoção destituída de razão é um absurdo. John Mackay disse: “Ação sem reflexão á paralisia da razão”.

Hoje em muitas igrejas existe a mania ou tendência de dar um brado de vitoria. O povo grita até ficar rouco. Isso é catarse pura, mas confundem sair desses cultos aliviados com sair dali abençoados. Paulo nos encoraja a praticarmos um culto racional (Rm. 12:1). Paulo nos encoraja a buscamos a sabedoria e o conhecimento para aprovarmos as obras de Deus.

A igreja está doente porque exalta a emoção e esquece-se da razão. Está doente porque o arrepio vale mais que a Palavra que em tudo pode nos tornar aptos para salvação.

5 – O Evangelho da Cruz Foi Sacrificado no Altar de Mamon.

Não é preciso ser experto em economia e finanças para identificar a crise que vive a igreja. Numa nação onde a justiça social é pouco praticada, a renda está concentrada nas mãos de poucos, o abismo entre ricos e pobres aumenta assustadoramente e os efeitos desastrosos de uma política neoliberal se fazem sentir, nada mais seduz as pessoas do que a oferta de dinheiro fácil, haja vista, o alto grau de endividamento dos aposentados após o governo federal permitir um comprometimento de suas rendas em empréstimos junto a bancos. O lucro dos bancos têm sido astronômicos. O povo endividado até o pescoço e os banqueiros colhendo os maiores resultados das últimas décadas. Neste contexto o que mais cresce no Brasil são casas lotéricas, bingos, jogos eletrônicos proibidos e igrejas. Atraem os pobres com promessas de enriquecimento rápido. As loterias e congêneres pela facilidade de aposta e as igrejas com a doentia teologia da prosperidade ou da vitória financeira. Estamos promovendo a maior desevangelização do Brasil. Estamos perdendo um momento precioso de anunciarmos o evangelho da cruz que gera arrependimento, fé e o novo nascimento. Em muitos lugares o evangelho da cruz foi substituído pelo evangelho da prosperidade que gera ganância, barganha, materialismo e grandes desapontamentos. Sabemos que a maioria nunca chegará a gozar das falsas bênçãos apregoadas por pregadores gananciosos, materialistas e desumanos. Está emergindo toda uma geração de cristãos decepcionados com o evangelho de Cristo. Pessoas que no médio e longo prazo nada farão pelo Reino de Deus, porque estão tentando absorver ou conviver com as frustrações que tiveram nas igrejas que pregam tais distorções.

Há bem pouco tempo acusávamos os católicos romanos de idólatras porque adoravam outros deuses ou santos. Mas deparo-me com a idolatria no meio evangélico. Não adoramos santos nem deuses, estamos adorando Mamon.

A igreja está doente porque oferece os benefícios da cruz sem a cruz. A igreja está doente porque aponta para este mundo como um fim em si mesmo. A igreja está doente porque se esqueceu de dizer ao homem que somos peregrinos em um mundo hostil a Cristo e seu evangelho.

6 – Teologia e Clareza Doutrinária Não, Revelações Sim.

Hoje em dia para tudo há uma nova unção. Unção de nobreza de Salomão por R$ 10.000,00, unção de Abraão por ter agarrado a camisa de um profeta judeu norte-americano, unção de Ester, unção do Leão de Judá, unção de Davi, unção apostólica e por ai vai. Nunca vi tanto besteirol no meio cristão. O pior é as pessoas acreditarem que isso é verdade. Sacrificam suas competências mentais em nome de uma espiritualidade doentia e insana. Visões, palavras proféticas, atos proféticos tudo isso mostrando o vazio interior de líderes confusos e desequilibrados. Os cristãos acham que qualquer pessoa que fala em nome de Deus ou se diz pastor merece crédito. Estamos vivendo um momento onde milhares de pastores autocomissionados e mesmo consagrados a rodo falam em nome de Deus. Como não possuem formação teológica sadia ou mesmo compram seus diplomas teológicos de pessoas desqualificadas e desonestas, falam sobre revelações, visões que nunca tiveram usando a Bíblia como um manual manipulável e manipulador de massas. As massas evangélicas foram cooptadas por certo triunfalismo, certo utilitarismo e mesmo hedonismo, onde o que vale mais é a sensação prazerosa e imediata. Tem mais valor a estética do que a ética, o sentir e não o pensar e a quantidade e não a qualidade.

A igreja está doente porque as novas revelações são mais importantes que A Revelação da Palavra.
A igreja está doente porque os sentimentos são mais valorizados que o pensar consistente.
A igreja está doente porque relativizou a Palavra de Deus. Está doente porque não possue mais valores absolutos.
Mas ainda resta muita esperança porque o Soberano Senhor está no controle de tudo. Ainda resta esperança porque existem homens e mulheres de Deus que pagam um preço pela sanidade, integridade e não se curvam, nem se embriagam com estas posturas alucinadoras. Existem servos de Deus que não se venderam, nem pagaram por bênçãos e nem relativizaram os fundamentos da fé e de uma vida cristã integral.

Ainda há esperança para igreja, eu creio nisso.

Soli Deo Gloria.

Pr. Luiz Fernando Ramos de Souza


23 abril 2026

UM CLAMOR A UM PROFUNDO ARREPENDIMETO


          UM CLAMOR A UM PROFUNDO ARREPENDIMETO

Lam. 3:40-42 – 5:21 - "Examinemos e provemos os nossos caminhos e voltemos para Jeová. Elevemos o nosso coração com as nossas mãos a Deus nos céus. Transgredimos e nos rebelamos, e tu não nos perdoaste." “Restaura-nos a Ti, Senhor, para que sejamos restaurados; renova os nossos dias como antigamente...”

Lamentações é um livro em forma de poesia. Nele o profeta Jeremias descreve o cerco que Jerusalém sofreu da Babilônia.

Nestes dois versículos o profeta pede que o povo de Israel examine profundamente seus caminhos ou modos de vida para um retorno a Deus. Mesmo vivendo momentos de extrema angústia, o povo não se tocava que o retorno a Deus seria sua libertação.

Jeremias, nesses versículos, faz um apelo para que Israel retorne a Deus, uma admissão tácita de que eles de fato se afastaram dele. Além disso, é necessário um retorno sincero e de coração. "Estender as mãos não basta por si só" (Is.1:25 ). É o coração que deve ser elevado a Deus, e não apenas as suas mãos.

Tem atitudes que embora seja despretensiosas, nos afastam de Deus. Sofremos muito com o uso excessivo de telas. Nossa mente fica em estado de entorpecimento, pois o excesso de tela libera uma alta dosagem de dopamina (hormônio do prazer) que tem o mesmo efeito de uso constante de drogas como Crack, anfetaminas etc. Outros comportamentos como o uso da pornografia são escravizantes e isso nos afasta de Deus. Esse afastamento é a causa de perdermos a comunhão e empobrecermos nossa vida cristã. Ficamos sem objetividade de vida e parece que estamos em um vácuo existencial. Na realidade nosso estado diante de Deus é de mortos.

No vers 21 do cap. 5 o profeta pede a intervenção de Deus. Aqui há uma duplicidade de conversão, do homem para Deus e de Deus para o homem. Calvino disse: “Este é agora o argumento que o Profeta aborda quando diz: “Converte-nos, ó Jeová, e seremos convertidos”; isto é, “Se tu, ó Jeová, te aprazes em nos reunir, a salvação já nos é certa”. E ele não fala aqui de arrependimento. Há, de fato, uma dupla conversão dos homens a Deus e uma dupla conversão de Deus aos homens. Há uma conversão interior quando Deus nos regenera pelo seu próprio Espírito; e a conversão em relação a nós mesmos é considerada o sentimento da verdadeira religião, quando, depois de termos nos afastado dele, retornamos ao caminho reto e a uma mente firme. Há também uma conversão exterior em relação a Deus, isto é, quando ele acolhe os homens em seu favor, de modo que seu favor paternal se torna evidente; mas a conversão interior dos homens a Deus ocorre quando eles recuperam a vida e a alegria”.

"Renova os nossos dias como antigamente" .

Ele deu, como sabemos, muitas e constantes provas do seu favor e misericórdia. Como, então, a bondade de Deus havia sido tornada evidente por tantas evidências, o Profeta agora diz: "Renova os nossos dias como antigamente", isto é, "Restaura-nos àquela felicidade que antes era um testemunho do teu favor paternal para com o teu povo". Agora, então, compreendemos o significado das palavras do Profeta.

Mas é preciso notar que ele fundamenta sua esperança nos antigos benefícios de Deus; pois, assim como Deus redimiu seu povo no passado, muitas vezes auxiliou os miseráveis ​​e derramou sobre eles, para a posteridade, uma plenitude de bênçãos, o profeta se encoraja a nutrir uma boa esperança e sugere também aos outros o mesmo fundamento de confiança. Vemos que Davi fazia isso frequentemente; pois, sempre que mencionava antigos testemunhos do favor de Deus para com seu povo, ele inferia que Deus estenderia a mesma bondade e benevolência à posteridade.

Queridos irmãos, que examinemos e esquadrinhemos nosso caminhar, modo de vida e contemos com as misericórdias do Senhor e Sua Graça para que nos voltemos para Ele integralmente e ELE para nós para que vivamos o Seu pleno favor.

 SOLI DEO GLORIA

 Pr. Luiz Fernando R. de Souza

 

01 fevereiro 2026

ESTUDO REVELA QUE MENOS PASTORES ESTÃO PENSANDO EM DESISTIR

 


Segundo novos dados da Barna Research, a proporção de pastores que consideram abandonar seus cargos está apresentando um declínio significativo desde o auge da pandemia de COVID-19.

Citando as conclusões do seu relatório " Estado da Igreja 2025 ", produzido em conjunto com a  Gloo , a Barna Church relata que a percentagem de pastores que sentiram vontade de abandonar os seus cargos tem apresentado um declínio constante desde 2022, atingindo os 24% em 2025.

“[Cerca de] 24% dos pastores protestantes seniores dos EUA dizem ter considerado seriamente deixar o ministério em tempo integral no último ano — um declínio em relação aos níveis máximos registrados durante o auge da era da pandemia”, observou a Barna em um novo relatório , citando dados de uma pesquisa de dezembro de 2025 com mais de 410 pastores protestantes seniores dos EUA.

“Embora ainda representem uma parcela substancial dos líderes, a diminuição sinaliza uma mudança significativa após vários anos marcados por intensa pressão profissional.”

Os entrevistados foram questionados: "Você considerou seriamente a possibilidade de abandonar o ministério em tempo integral no último ano?" Embora quase um quarto tenha respondido "sim" em dezembro de 2025, esse número representa uma queda significativa em relação ao pico de 42% registrado em março de 2022, quando 510 pastores foram entrevistados. 

O estudo " Explorando o Impacto da Pandemia nas Congregações " , do Instituto Hartford para Pesquisa Religiosa, constatou que, no outono de 2023, mais da metade (53%) dos mais de 1.700 líderes religiosos entrevistados afirmaram ter considerado seriamente abandonar o ministério pastoral pelo menos uma vez desde 2020. Essa porcentagem foi significativamente maior do que os 37% de pastores que relataram, em 2021, terem tido pensamentos semelhantes desde 2020.

Cerca de 44% dos pastores também disseram ter considerado seriamente deixar suas congregações pelo menos uma vez desde 2020. Esse número é mais que o dobro dos 21% de pastores que relataram esse sentimento em 2021.

Os pesquisadores da Barna observam que, embora a proximidade com a pandemia tenha influenciado a forma como os pastores se sentiam em relação aos seus trabalhos, esse não foi o único fator que impulsionou a queda na proporção de pastores que cogitaram abandonar o cargo.

“À medida que as igrejas se estabilizam, muitos pastores relatam estar recalibrando suas expectativas — obtendo maior clareza sobre o que é sustentável e onde os limites são necessários. As congregações também estão redescobrindo ritmos de culto e comunidade que foram interrompidos por anos, reduzindo a constante sensação de liderança emergencial”, explicaram os pesquisadores da Barna.

Em 2022, pesquisadores da Barna descobriram que mais da metade dos pastores (56%) que consideraram abandonar o ministério em tempo integral no ano anterior disseram que “o imenso estresse do trabalho” foi um fator determinante para essa decisão. Além desses fatores estressantes gerais, dois em cada cinco pastores (43%) relataram sentir-se sozinhos e isolados, e cerca de 38% afirmaram que as “divisões políticas atuais” os fizeram pensar em desistir do púlpito.

Uma parcela igual de 29% dos pastores também disse que pensou em desistir porque não estava otimista em relação ao futuro de sua igreja; estava insatisfeito com o impacto do trabalho em sua família; ou tinha uma visão para a igreja que entrava em conflito com os objetivos da igreja. Outros 24% dos pastores disseram que consideraram desistir porque sua igreja estava em declínio constante.

Ao analisar suas descobertas recentes, os pesquisadores da Barna afirmaram que uma diminuição na proporção de pastores que sentem vontade de desistir não significa necessariamente que os desafios que enfrentam no ministério tenham sido resolvidos.

“Uma minoria significativa de líderes ainda se sente à beira do colapso, e os pastores mais jovens, em particular, continuam vulneráveis ​​à síndrome de burnout. Mas essa mudança é importante”, observaram os pesquisadores.

“A estabilidade pastoral está intimamente ligada à saúde da congregação. Quando os pastores conseguem vislumbrar um futuro no ministério, as igrejas se beneficiam da continuidade, da confiança e da formação a longo prazo. Quando os líderes se afastam sob pressão prolongada, as congregações muitas vezes arcam com o custo — espiritual, relacional e organizacionalmente.”

LeoBlairChristianPost

13 janeiro 2026

TEOLOGIA DESCOMPLICADA E INTELIGENTE

 


Vem aí o Teologia Inteligente. Uma abordagem à teologia de forma simples e descomplicada, traduzindo os conceitos teológicos para todo cristão entender. A teologia abordada será a clássica e tradicional. Isso trará vários benefícios como: Compreender melhor como Deus age no mundo e nas sociedades humanas - Entender com clareza o que a Bíblia diz - Preparar com qualidade os participantes para identificarem as heresias e combatê-las - Qualificação de lideranças em diversas áreas da igreja, o que facilitará o ministério pastoral local, além de ser uma ótima oportunidade de reciclar o conhecimento para aquele que fez um seminário e muito mais.  Você vai dominar a teologia em sua própria casa.

Os encontros serão às 2a. feiras às 20h pelo ZOOM

Informações pelo Whatsapp 31 991170222

Pr. Luiz Fernando Ramos de Souza

Graduado em História e Teologia

Pós Graduado em ADM Financeira e Filosofia da Religião.





01 janeiro 2026

TRÊS RESOLUÇÕES PODEROSAS PARA 2026

 


RESOLUÇÕES DE ANO NOVO 2026

Como cristãos, quando pensamos em resoluções de Ano Novo, muitas vezes pensamos novo planos, desejos não realizados ou mesmo um grande desafio profissional.

Mas gostaria de apontar algumas resoluções que sendo muito simples passam desapercebidas e nos moldam a um estilo de vida errático.

Quero apontar 3 resoluções simples mais necessárias.

 1 - 1. Pratique o gerenciamento da atenção.

Ouvimos falar muito sobre gerenciamento do tempo hoje em dia, mas raramente sobre gerenciamento da atenção. O brasileiro passa, em média, cerca de 9 horas por dia conectado em frente às telas, sendo um dos países que mais usam smartphones e outros dispositivos, com dados recentes de 2025 indicando aproximadamente 9h13min a 9h32min diários, focados principalmente em mensagens e redes sociais como WhatsApp e Instagram. diárias. Estamos imersos em um mar de mensagens de texto, e-mails, vídeos, jogos e alertas. Se não tomarmos cuidado, isso pode se tornar uma série interminável de distrações que desviam nossa atenção de coisas mais importantes. Isso sem contar que se ao acordarmos ligarmos diretamente o celular antes de qualquer outra coisa, receberemos uma dose exagerada de dopamina (gera prazer) que um pouco mais tarde roubará nosso foco durante o dia, sentiremos cansados e o nosso organismo compensará essa dopamina com reações como depressão. Isso resultará que buscaremos mais dopaminas virando um ciclo vicioso, ou seja, seremos viciados em telas como um drogado o é para as drogas.

Eles também podem nos moldar sutilmente à imagem da cultura secular que produz grande parte do que consumimos. Como escreve o teólogo Jason Thacker: “Seguir Jesus na era digital exige... que tenhamos os olhos bem abertos e percebamos como a tecnologia nos molda sutilmente de maneiras muitas vezes contrárias à nossa fé. Precisamos aprender a fazer as perguntas certas sobre nossa relação com a tecnologia, examinando-a com clareza e fundamentada na Palavra de Deus.” 

É preciso um esforço intencional para proteger nossos corações das mensagens frequentemente contrárias ao cristianismo que chegam pelas telas, mas precisamos priorizar isso, pois “tudo o que fazemos provém” do nosso coração ( Prov. 4:23 ). Podemos usar a tecnologia de muitas maneiras benéficas, mas também devemos “examinar tudo cuidadosamente” e “reter firmemente o que é bom” ( 1 Tess. 5:21 ), evitando obstáculos ao nosso crescimento espiritual.

Aqui destaco uma das armas mais terríveis que Satanás usa contra o cristão, a procrastinação. Meu irmão e amigo, resista à tentação de deixar para depois. O Senhor Jesus nos dá o exemplo de decisão vigorosa quando disse para Judas quando este o ia trair. Mesmo sabendo das consequências desse ato de Judas, Ele foi determinado: “O que tens de fazer, faze-o depressa”. Jo. 13:27.

Nós não temos o amanhã, somente o agora.

Lembremos aquilo que James C. Hunter disse em seu livro O Monge e o Executivo: “Pensamentos tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, hábitos tornam-se caráter, e nosso caráter torna-se nosso destino”.

Gerenciar a atenção é nos dedicarmos a fazer aquilo que deve ser feito e não o que nos dá prazer.

2 – Priorizar o que é de valor.

Isso aponta para aquilo que acrescenta em nossas vidas. Precisamos decidir entre o que será preciso ser descartado ou mantido. Relacionamentos tóxicos e destrutivos devem ser preteridos e novas alianças promissoras devem ser buscadas. 

Como cristãos precisamos urgentemente de uma profunda metanoia- arrependimento. Não arrependimento para salvação, pois uma vez salvos pela Graça não cabe mais esse tipo de arrependimento, mas o arrependimento de obras mortas. Quero inferir de Heb. 6:1 essas obras mortas. Significa deixar para trás atos e práticas que não levam à vida verdadeira em Cristo, resultantes da natureza pecaminosa ou da incapacidade da Lei de purificar a consciência. É um processo contínuo de mudança de atitude e ação, que envolve reconhecimento, confissão e abandono do pecado, buscando a transformação para obras vivas, produzidas pelo Espírito Santo, conforme ensinado em passagens como At. 3:19 e 1 Jo. 1:8-10. 

Se assim o fizermos termos lares melhores, vida cristã de qualidade e responderemos às demandas do Evangelho no poder do Espírito Santo.

Priorizarmos nossas famílias para que o Senhor seja glorificado nelas.

Priorizarmos a Palavra que nos sustenta e é o grande meio do Senhor Deus falar conosco.

Priorizarmos a oração que o grande meio de falarmos com Deus.

Billy Graham disse a famosa frase: "Dobre os joelhos e ore até que você e Deus sejam amigos íntimos".

Priorizarmos a evangelização. Falarmos de Cristo em toda e qualquer situação, no trabalho, escola, condomínios, lazer etc.

O apóstolo Paulo disse: “Fale a tempo e fora de Tempo”. II T: 4:2.

Priorizarmos a glória de Deus. Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”. I Cor. 10:31.

Priorizamos a nossa igreja local. Sem este comportamento ela esfriará e murchará. Valorizarmos nossos pastores e trabalhos da igreja e dispendermos esforços para o seu crescimento.

3 – Poder do Espírito Santo.

Talvez a pessoa mais mal conhecida e negligenciada seja o Deus desconhecido, o Espírito Santo. Creio que foi o teólogo Carl F. Henry quem disse isso. Por não estudarmos sobre Sua pessoa confundimos manifestações da alma e da carne com a do Espírito. O Espírito Santo não fala nada com ninguém que seja contra a Palavra que Ele inspirou, a Bíblia. O Espirito Santo não fica aquém ou vai além da Palavra, Ele fica na Palavra.

Precisamos de ser cheios com o Espírito para fazermos a obra de Deus com capacidade e poder.

Lucas disse em Atos que: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”. Destaco que a palavra poder vem do grego “Dunamis (grego: δυναμις)” de onde vem nossa palavra dinamite. O poder da dinamite não se vê ou percebe em um enorme banco de areia, mas em locais de dura penetração (Rochas). Precisamos ser cheios desse poder em uma sociedade que resiste duramente à Palavra de Deus com ideologias demoníacas, ateístas e mundanas.

Estou convicto que somente este poder poderá vivificar a igreja em nossos dias.

Precisamos de uma visitação poderosa do Santo Espírito.

Três resoluções poderosas para 2026.

Você está pronto para assumi-las?

 SOLI DEO GLORIA

 Pr. Luiz Fernando R. de Souza

Igreja Batista da Aliança


12 dezembro 2025

A VIDA CRISTÃ É UMA JORNDA LONGA E PERIGOSA

 

A vida cristã é uma jornada longa e perigosa.

Por Thiago Silva , colunista de opinião. Sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Não existe terreno neutro no universo: cada centímetro quadrado, cada fração de segundo, é reivindicado por Deus e contestado por Satanás” – C.S. Lewis, Reflexões Cristãs

Em 1942, em meio ao estrondo das bombas e ao silêncio ensurdecedor do colapso moral que assolava a Europa, C.S. Lewis lançou um pequeno livro peculiar: uma coletânea ficcional de cartas de um demônio veterano para seu jovem aprendiz. As Cartas de Screwtape  não pareciam, a princípio, um sucesso natural. Não eram inspiradoras. Não eram doutrinárias no sentido tradicional. Não ofereciam nenhum consolo espiritual explícito. O que ofereciam, em vez disso, era um vislumbre do que aconteceu por trás das linhas inimigas — um espelho sombrio no qual o cristão podia se ver. E nesse espelho, Lewis revelou o que muitos haviam esquecido: que a vida cristã é uma guerra, e o campo de batalha é a alma.

A genialidade da visão de Lewis reside não em grandes revelações, mas na formação espiritual cotidiana. O objetivo do inimigo não é levar o paciente a um pecado dramático, mas mantê-lo espiritualmente adormecido — entediado com a igreja, orgulhoso de sua própria humildade, distraído pela política, apaixonado por romances superficiais, cético em relação ao sofrimento e indiferente à oração. Screwtape não visa destruir a fé com um único golpe, mas sufocá-la com a confusão. Cada carta é uma pequena lição de como a formação espiritual acontece — não primordialmente em vitórias ou derrotas espetaculares, mas em mil escolhas diárias de pensamento, hábito e coração.

É por isso que  As Cartas de Screwtape permanecem tão relevantes. Porque o discipulado — o processo real e contínuo de conformação a Cristo — é moldado e testado no cotidiano. E porque a guerra espiritual não se restringe aos campos de batalha, ela se desenrola em cozinhas, salas de aula, escritórios e bancos de igreja. Lewis sabia disso. Ele criou um livro que não era apenas inteligente, mas também pastoral. Por trás da ironia e da sátira, há um amor profundo pela alma e uma preocupação genuína com a Igreja. A vida cristã, como Lewis demonstra, não é uma ideia abstrata ou um passatempo de fim de semana. É uma jornada longa e perigosa rumo à glória, empreendida em território inimigo, onde a cada dia nos aproximamos de Deus ou nos afastamos dele.

Entendendo  As Cartas de Screwtape : Contexto e conteúdo

Quando  "Cartas de um Diabo a Seu Aprendiz"  foi publicado em 1942, a Grã-Bretanha estava em plena Segunda Guerra Mundial. A nação havia suportado o Blitz, vivido sob a constante ameaça de invasão e enfrentava sofrimento, medo e perdas generalizadas.

Na época, Lewis estava conquistando um público nacional por meio de suas palestras na rádio BBC, que mais tarde seriam compiladas em  Cristianismo Puro e Simples . Sua voz ressoava em uma cultura cada vez mais marcada pelo secularismo, ceticismo e pela influência decrescente do cristianismo tradicional.  As Cartas de Screwtape  confrontaram essas mudanças com humor e perspicácia teológica, usando a correspondência fictícia de um demônio sênior para revelar como a distração, o orgulho e a apatia espiritual prosperam sob o disfarce da vida normal. A mistura de sátira, teologia e apologética imaginativa de Lewis ofereceu tanto crítica cultural quanto aconselhamento espiritual para uma geração ansiosa e cansada da guerra.

O livro consiste em 31 cartas fictícias de Screwtape, um demônio sênior, para seu sobrinho inexperiente, Wormwood, um tentador júnior designado para cuidar de um cristão recém-convertido, referido simplesmente como "o paciente". Através da voz cínica e condescendente de Screwtape, recebemos uma descrição profundamente perspicaz (e muitas vezes dolorosamente precisa) das táticas usadas por forças espirituais para sabotar a fé e a formação cristãs.

O que torna o livro tão poderoso é o uso que Lewis faz da teologia invertida. Screwtape se refere a Deus como "o Inimigo" e descreve virtudes cristãs como humildade, castidade e amor com repulsa. Essa perspectiva invertida força o leitor a pensar teologicamente a partir do ponto de vista oposto. Somos convidados a observar a vida cristã não através do idealismo, mas pela lente da oposição espiritual. E, ao fazê-lo, começamos a reconhecer a sutileza da tentação — não apenas em atos malignos, mas em desejos, hábitos e amores distorcidos.

Screwtape adverte Wormwood para não se apoiar em pecados dramáticos. Ele incentiva uma erosão pequena e gradual: encorajar o paciente a criticar os sermões em vez de aplicá-los; a orar com emoções vagas em vez de confissão honesta; a se fixar nas falhas dos outros membros da igreja; a idolatrar o conforto e a segurança; a espiritualizar compromissos políticos enquanto se esquece do Evangelho. Assim,  As Cartas de Screwtape  não são um manual sobre atividade demoníaca — são um espelho que reflete a frágil jornada do discipulado em um mundo caído.

Teologicamente, o livro está repleto da compreensão de Lewis sobre a santificação. Embora não estivesse escrevendo uma teologia sistemática, a visão de Lewis é bíblica: a vida cristã é um processo de conformação a Cristo por meio do ordinário e do difícil, por meio do sofrimento, da comunidade, do arrependimento e da obediência. A fúria de Screwtape aumenta quando o paciente cresce espiritualmente sem sentir nada, quando resiste à tentação silenciosamente ou quando ora sinceramente mesmo em meio à dúvida. Para Lewis, essas são as marcas do verdadeiro discipulado.

Além disso, o livro termina não com uma demonstração espetacular de vitória espiritual, mas com a morte — o momento que Screwtape chama de “território do Inimigo”. E, no entanto, é aqui que o paciente encontra a paz. Ele é recebido na glória, não por causa de sua força, mas porque foi preservado. Ele perseverou, hesitante, mas verdadeiramente, e os demônios perderam seu domínio.

É isso que torna  As Cartas de Screwtape  um livro tão fascinante para o discipulado moderno. Não é fantasia. É realismo disfarçado de ficção. Aborda o que muitas vezes ignoramos: que todo cristão está em uma batalha, não apenas contra pressões externas, mas também contra o afastamento interno. Que nossas mentes e corações estão em constante transformação — e que o discipulado intencional, moldado pela graça, é a única verdadeira resistência.

Um retrato do discípulo em processo

O paciente, o homem anônimo no centro de  Cartas de um Diabo a Seu Aprendiz , não é um herói espiritual. Ele não é um mártir, místico ou visionário. Não é um santo cuja vida um dia será inscrita em vitrais. Ele é, aparentemente, uma pessoa comum. E é precisamente isso que o torna poderoso. Porque ele somos nós. Lewis optou por não dar um nome ao paciente, não para torná-lo extraordinário, mas para apresentá-lo como um homem comum — uma composição de inúmeros crentes que tropeçam na vida cristã. Ele se converte logo no início da história, começa a frequentar a igreja, ora (embora de forma inconsistente) e tenta viver uma vida moral. Mas ele está frequentemente confuso. Luta contra a luxúria, o orgulho, o medo, a preguiça e a aridez espiritual. Seus afetos são contraditórios. Seus motivos são obscuros. Suas convicções são pressionadas. Ele é influenciado pela cultura, pelas amizades, pelas modas intelectuais e pela dor pessoal. E, no entanto, em meio a tudo isso, algo real está se formando nele. Ele está sendo discipulado — não em um sentido programático ou institucional, mas no sentido espiritual formativo. Sua vida está sendo moldada — seja conformada a Cristo ou deformada pelo mundo.

As instruções de Screwtape fornecem um currículo sinistro de antidiscipulado. Seu objetivo não é destruir o paciente de uma só vez, mas impedi-lo de crescer. Ele treina Wormwood para incentivar a complacência, explorar as emoções e nutrir a passividade. Como ele mesmo diria: “De fato, o caminho mais seguro para o inferno é o gradual — a suave inclinação, macia sob os pés, sem curvas repentinas, sem marcos, sem placas indicativas” ( Screwtape , Carta 12). Portanto, Screwtape quer distorcer a visão do paciente sobre a oração, tornando-a egocêntrica. Ele corrompe a humildade, fazendo com que o paciente se orgulhe de ser humilde. Ele chega a transformar a igreja em uma fonte de irritação — amplificando a hipocrisia alheia, ampliando as diferenças sociais e embotando a vitalidade espiritual por meio da rotina.

E, no entanto, o que mais frustra Screwtape é que o paciente começa a mudar — não drasticamente, mas genuinamente. Ele começa a obedecer mesmo quando não se sente bem. Arrepende-se sem se justificar. Volta-se para Deus mesmo na ausência de consolo espiritual. São nesses momentos que o controle de Screwtape enfraquece. Pois nesses atos silenciosos de obediência, o paciente está amadurecendo. Está sendo santificado — não em glória, mas em perseverança.

Sua perseverança não impressiona pelos padrões mundanos. Não é dramática. Nem mesmo muito visível. É frágil. Mas é real. Ele continua orando. Continua indo à igreja. Continua se confessando. Continua caminhando. E, ao final das cartas, quando a morte chega, não é terror, mas triunfo. Ele é acolhido na presença de Cristo — não porque tenha alcançado a grandeza, mas porque a graça o sustentou. Ele não entra como uma celebridade espiritual, mas como um discípulo. E isso basta.

É isso que torna  As Cartas de Screwtape  tão impactantes, especialmente hoje em dia. O livro não apresenta a vida cristã em tons heroicos e idealizados. Ele a retrata em tons de cinza, em meio à luta e à fé silenciosa. Reconhece a dúvida, a tentação, o cansaço e o pecado — e ainda assim insiste que Deus está agindo em meio a tudo isso. Ele nos lembra que o discipulado não é reservado apenas aos fortes. É para os fracos que se apegam à graça. É para os ansiosos que retornam a Cristo. É para os cansados ​​que não desistem. Em outras palavras, é para todos nós.

A história do paciente não é de excelência espiritual. É uma história de fidelidade. E, no fim, é assim que a santificação se parece: lenta, custosa, comum e bela. A história do paciente nos assegura que o discipulado é possível — não apenas para os excepcionais, mas para todos que dizem: “Senhor, eu creio; ajuda a minha incredulidade”.

Discipulado e guerra espiritual

Por que essa combinação — discipulado e guerra espiritual?

Porque a vida cristã não é uma jornada neutra de auto aperfeiçoamento. É uma guerra de lealdade. Seguir a Cristo é entrar em um espaço disputado. É ser conquistado pela graça e perseguido pelo inimigo. É caminhar, diariamente, com Jesus através de provações, tentações, sofrimentos e pequenas vitórias — aprendendo a orar, a amar, a resistir, a perseverar. E Lewis, através da lógica invertida de seus demônios, nos ensina como o inimigo age para que possamos aprender como a graça prevalece.

Lewis sabia que a guerra nem sempre é dramática. Muitas vezes, é monótona. As armas do Inferno nem sempre são a violência e o caos, mas sim o tédio, a distração, o ressentimento, o orgulho e a apatia espiritual.  As Cartas de  Screwtape mostram como o Inferno trava guerra não subjugando os crentes, mas os entorpecendo lentamente — afastando-os da verdade um pequeno compromisso de cada vez. O paciente não cai com um estrondo, mas sim com uma deriva gradual. Essa percepção, acredito, faz de Lewis um grande guia para o discipulado na era moderna.

Numa época que banaliza o mal, descarta o sobrenatural e reduz o cristianismo a terapia, a visão de Lewis é um corretivo revigorante.  As Cartas de Screwtape  nos lembram que a vida cristã é um campo de batalha. O inimigo prefere a distração à descrença, a complacência ao confronto, o cinismo à coragem. Mas o Evangelho nos lembra de uma verdade maior: Cristo triunfou. Sua morte desarmou os poderes, Sua ressurreição garantiu a derrota deles e Seu Espírito capacita Sua Igreja a perseverar. Ser um discípulo é viver como um soldado nesta realidade: resistindo à tentação, reordenando o amor e perseverando com a Igreja até o fim.


Publicado originalmente no Boletim Informativo The Worldview. 

Thiago Silva

 

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