
Assepsia é um termo aplicado a medicina e quer dizer: “É o processo pelo qual se consegue afastar os germes patogênicos de determinado local ou objeto”. É extremamente necessário esse processo, pois, caso contrário infecções das mais variadas forma se apresentarão e como corolário teremos graves enfermidades ou morte. Durante centenas de anos a raça humana conviveu com um alto índice de mortandade devido à falta de assepsia. Praticamente quem iniciou o processo de assepsia, embrionariamente no cuidado de doentes, foi Florence Nightingale, mãe da enfermagem moderna e por sinal era uma cristã convicta.
Assepsia deve ser antes que um ato um processo contínuo tanto no campo da medicina como no pessoal. Necessário se faz constantemente afastar os germes patogênicos de nossas vidas físicas, emocionais e comportamentais, senão poderemos enfraquecer nossas fibras morais, éticas e cristãs. Esse enfraquecimento será o meio propício para a multiplicação de comportamentos erráticos em todas as áreas.
Gostaria de ponderar sobre algumas áreas que precisamos de uma total assepsia. Uso os termos assepsia e faxina de forma intercambiável.
Deixamos acumular com o tempo comportamentos e sentimentos daninhos nessa área e depois vemos o enfraquecimento nas relações familiares ser uma constante. Acostumamo-nos com atitudes indesejadas e pensamentos nocivos a vida em família e depois reclamamos porque perdemos o brilho, o vigor, a alegria e as motivações dentro de casa. Rapidamente deve ser feito uma faxina em nossa vida familiar. Analisarmos cuidadosamente os comportamentos e sentimentos mantidos ao longo dos anos e depois limparmos tudo o que é desnecessário. Assepsia na família deve ser um processo durante sua existência. Se assim acontecer experienciaremos uma revitalização na família, as relações melhorarão, os canais de comunicações serão reabertos e uma nova oxigenação aumentará o fluxo de vida familiar.
Essa assepsia deve ser feita por todos os membros da família. Cada um analisando seus comportamentos, pensamentos e sentimentos e desprezando aquilo que é inócuo.
Pode-se iniciar por uma criteriosa análise sobre o uso da televisão. Essa mídia mais afasta do que aproxima os membros de uma família. Quem sabe uma só TV para toda família? Quem sabe um uso mais racional dessa mídia não nos daria mais tempo para um bom diálogo familiar ou ganharíamos mais tempo para uma boa leitura e meditação pessoal?
Poder-se-ia continua com uma análise criteriosa do uso do computador. Acredito que disciplina nesse comportamento só trará dividendos excelentes para família. Caso contrário uma escravidão bate à nossa porta. Tenho visto, ao longo do ministério pastoral, família inteiras fragmentadas porque permitiram o uso indiscriminado do computador. Famílias onde a comunicação se faz por MSN ou email já que o diálogo tornou-se impraticável.
Creio que outra área necessária seria a dos comportamentos/hábitos adquiridos. Maridos deveriam repensar hábitos já há muito arraigados e fazer uma faxina neles. Chegar em casa e ir direto para o computador ou televisão deveria ser alternado com um beijo na esposa, interesse pelo dia dos filhos, ajuda mútua para qualquer membro da família. As esposas poderiam ao invés de despejar suas ansiedades sobre o marido proporcionar um ambiente mais limpo, agradável e cativante para todos e depois com competência expor seus pensamentos.
Esses ensinos adentraram as igrejas e estas passivamente os aceitaram como princípios da Palavra. Não vou refutar um por um desses ensinos, pois, já o fiz em postagens anteriores, mas gostaria de destacar a total passividade dos cristãos diante disso tudo. Ensinos aceitos acriticamente. John Mackay disse: “Ação sem reflexão é paralisia da razão”. Cito 03 versículos da Palavra que apontam para tais comportamentos: I Tm. 4: 1,2 “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”.
II Tm. 4: 3,4 “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”.
Necessário e urgente se faz praticarmos assepsia na área espiritual. Nunca vimos nos tempos modernos tantas pessoas das mais variadas linhas teológicas mercadejarem tanto a Palavra como agora. Cabe a cada cristão a responsabilidade do cuidado sobre si mesmo. Por isso, uma faxina nesta área é fundamental. Precisamos questionar se o que estamos ouvindo e aprendendo tem fundamentação bíblica ou não. Se não tiver, então uma limpeza será bem vinda.
As denominações históricas deveriam promover essa assepsia em seus quadros pastorais e apurar com maior precisão o momento da consagração de alguém ao Ministério da Palavra. Conheço denominação que consagra ao ministério pessoas que fizeram curso de teologia de algumas horas e no momento do exame teológico usam manuais de ensinos em nível de Escola Bíblica Dominical. Não formam pensadores e homens com profundos conhecimentos para serem expositores da Palavra. Quando bate qualquer vento novo de doutrina vemos o estrago que isso faz.
Necessário se faz uma assepsia na aceitação de homens que somente falam e nada mais. Homens que somente gritam e esbravejam e nada mais. Homens que usam palavras chulas para agredir todos que deles discordam. Tais lideranças não são necessárias. As igrejas precisam ser firmes nesta área e irredutíveis em seus critérios de avaliação.
As igrejas precisam exigir de seus líderes vidas com modéstia, moderação, discrição, e extirpar de seus meios os megalomaníacos que insistem em promover a si mesmos. Que buscam poder a qualquer custo e que querem mostrar que a benção de Deus está ligada à prosperidade financeira. Há pouco tempo li em uma revista exotérica sobre Billy Graham. Ela dizia que os evangélicos tinham do que se orgulhar, pois, Billy Graham em mais de 40 anos de ministério em nada tinha envergonhado seus pares. Andava em um carro com 8 anos de uso. Quando levava sua secretária para casa ela ia no banco de traz do carro. Havia doado todos os direitos autorais de seus livros para Associação Billy Graham para Evangelização e que recebia um salário de U$ 10.000,00 desta Associação. Pelo que me consta Billy Graham pregou em mais países do mundo do que qualquer outro pregador e fez mais cruzadas nos diversos continentes que qualquer outro e mesmo assim não existem relatos que tenha comprado aviões, gasto fortunas nababescas com propriedades faraônicas e nem mantido um padrão de vida discrepante. Não seria ele um paradigma moderno para as lideranças evangélicas?
Sem medo de estar cometendo algum pecado necessário se faz uma assepsia na liderança evangélica brasileira.
“Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade; Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir. Esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação; Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis. Manda estas coisas e ensina-as. Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o [exemplo] dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem”.


