16 agosto 2010

ADEUS PREGADORES INTOCÁVEIS

Por: J.L. Grady

Tradução de João A. de Souza filho

Deus está sacudindo a igreja removendo os corruptos, mas somos culpados de trazer os charlatães para nossos púlpitos!

Al Capone controlava a cidade de Chicago. O prefeito da cidade comia na mão dele e Capone trazia a polícia sob cabresto, enquanto dominava um império de cassinos, prostituição e contrabando de toda espécie. Durante anos fez uso das armas e vivia acima da lei, a ponto de ganhar o apelido de “intocável”, porque ninguém conseguia levá-lo às barras dos tribunais.

Mas, finalmente preso em 1932 justificou seus crimes, dizendo: “Tudo que fiz foi satisfazer a vontade do povo”. Ele não se preocupava com as consequências de seus crimes porque conhecia os prefeitos, a polícia, os líderes comunitários e os cafetões que o protegiam.

“Não existe como saber quantas pessoas rejeitaram o evangelho porque viram a igreja apoiando esses pregadores que gritam, mentem, enganam, corrompem, roubam e são aplaudidos pela congregação quando pedem dinheiro”.

Detesto ter de comparar qualquer ministro a um gangster, mas a triste verdade é que existem muitos obreiros inescrupulosos que seguem os passos de Al Capone. São enganadores e mestres na arte da manipulação. Encontraram seu espaço nos subterrâneos do movimento carismático e usam sua capacidade hipnótica para controlar um bom número de emissoras de TV. E, como Al Capone seus dias estão contados. A justiça os alcançará!

Esses falsos profetas, possivelmente começaram seus ministérios com um chamamento genuíno de Deus, mas a fama e o sucesso os desviaram e os destruíram. Abandonaram a fé levados pela fama e pelo dinheiro, e quando se deram conta tiveram que criar mecanismos para manter seus ministérios em funcionamento. Agora, Deus os está apertando.

Mas, antes que nos regozijemos crendo que esses impostores estão sendo removidos de nossos púlpitos, apertemos o botão de pausa e pensemos um pouco. O que aconteceu para que tais pregadores adquirissem tal fama? Eles jamais seriam famosos sem nossa ajuda.

Nós somos os culpados. Quando eles dizem: “Deus lhes está prometendo riquezas infindas, desde que hoje você oferte mil reais”, corremos para o telefone e doamos o dinheiro ou parcelamos em nosso cartão de crédito. Deus nos perdoe!

Não soubemos discernir esses lobos. Quando afirmam: “Preciso de sua oferta sacrificial para que eu conserte meu avião particular”, não indagamos por que o servo de Deus não pode viajar numa linha comercial, na classe turística para visitar um país do terceiro mundo. (Eles vêm ao Brasil em jatinhos; e os teleevangelistas percorrem nossa nação em seus jatos particulares enquanto nós os sustentamos - NT).

Somos os bobos da corte. Ao ficarmos sabendo que viviam na imoralidade, tratando mal suas esposas ou enchendo as cidades com filhos ilegítimos, nunca exigimos que seus líderes se posicionassem e os disciplinassem com seriedade. Perdoa-nos, Deus!

Quando nos pedem dois milhões de reais porque o orçamento deles está apertado, não nos perguntamos por que precisam ficar em hotéis em que uma diária custa dez mil reais! De fato, se questionássemos, algum cristão responderia rapidamente: “Não critique. A Bíblia diz que não podemos tocar nos ungidos de Deus!”. Que Deus nos perdoe!

Tratamos esses charlatães como tratavam Al Capone – como se esses pregadores fossem intocáveis – e, como resultado a corrupção desses homens minaram as igrejas carismáticas como uma praga. Nossas igrejas foram consumidas pelo capitalismo, pelo orgulho, engano e pecados sexuais, tudo porque temos medo de chamar esses pregadores de Bozo, porque isso é que são. Inseguros, egoístas e desequilibrados emocionais.

Se tivéssemos nos apoiado com discernimento na Bíblia teríamos nos livrado dessa confusão. Não existe como saber quantas pessoas rejeitaram o evangelho porque viram a igreja apoiando esses falastrões, mentirosos, enganadores, que se divertem em nossos púlpitos, enquanto nós os aplaudimos e lhes demos muito dinheiro.

Quando os bem-intencionados crentes citam o texto de 1 Crônicas 16.22: “Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas” para encobrir os corruptos e charlatões, cometem grave engano contra as Escrituras. Nada indica nesta passagem que devemos silenciar quando um líder está abusando do poder para enganar as pessoas.

Bem ao contrário, somos convocados a que confrontemos o pecado numa atitude de amor e de honestidade, e, certamente não demonstramos amor para com a igreja quando permitimos que os Al Capone carismáticos corrompam nossa geração!

Fonte.: http://www.pastorjoao.com.br

Extraído de: http://www.charismamag.com/index.php/fire-in-my-bones

Soli Deo Glória

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

08 agosto 2010

IGREJA, LUGAR DE COMUNHÃO E VIDA


IGREJA, LUGAR DE COMUNHÃO E VIDA- Salmos - 133

“OH! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla dos seus vestidos; Como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre”.

O Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para, além da remissão de nossos pecados, constituir para Deus um povo chamado igreja. Essa igreja deve manifestar o propósito de Deus na terra. É na comunhão dos irmãos que a igreja mais se aproxima desse propósito. Ali, como diz o salmo 133, o Senhor ordena a benção. Parece que Davi antevia o benefício das reuniões da igreja. Na comunhão da igreja temos cobertura e proteção espiritual –

I Cor 5:5. Ou seja, enquanto estamos em comunhão com nossa igreja estamos guardados espiritualmente pela proteção oferecida pela mesma. Mas também temos na igreja a comunicação de dons espirituais – Rm. 1:11. Na comunhão da igreja somos orientados pela Palavra de Deus – II Tm 3:16.

Na igreja encontramos oportunidade para aumentar nossa fé – Rm… 10:17, além de muitos outros benefícios. Mas um fenômeno recente está nublando e obstaculizando a comunhão dos santos em suas igrejas locais. É o advento dos tele-evangelistas. Por entrarem em nossos lares em horários variados atendem algumas necessidades dos cristãos e dentre elas a desobediência à Palavra de Deus que nos ordena a não abandonarmos nossas congregações como é costume de alguns – Heb. 10:25. Muitos cristãos acham que assistindo um programa evangélico em casa, suas idas às igrejas locais foram cumpridas ou sua adoração foi realizada nos moldes bíblicos. Ledo engano. Antes pelo contrário. Estamos negligenciando a Palavra de Deus, perdendo oportunidades de sermos abençoados (porque ali o Senhor ordena a benção). Mas existe ainda um sério problema. Quando nos abrimos para esse tipo de cristianismo, ficamos vulneráveis a receber todo e qualquer tipo de doutrina seja ela boa ou má. Pelo que tenho visto pelas pregações na televisão a maioria possui uma teologia de péssima qualidade e a maioria dos sermões caminha para auto-ajuda. Assim nos comportando, logo logo, deixaremos de dizimar em nossa igreja local e passaremos enviar os dízimos e ofertas para os tele-evangelistas que estão com a boca bem aberta buscando arrecadar mais para se manterem no ar. Já existe igreja oferecendo a Ordenança/Sacramento da Ceia pela televisão, quando o cristão pega um pedaço de pão e um pequeno cálice e assistindo a um culto participa da Ceia do Senhor em sua própria casa. (Modelo totalmente anti-bíblico). Essas propostas levam à geração de cristãos sem compromissos com suas comunidades locais, fracos na fé, ausentes nas Ordenanças/Sacramentos, infiéis à Palavra, frios e inadimplentes com Missões, egoistas e realmente nulos/inócuos para com Deus.

O modelo utilizado por muitas igreja de pequenos grupos, embora ofereça boas oportunidades de evangelismo e aproximação dos cristãos, não substitui a igreja em suas reuniões solenes. Igrejas nos lares como modelo de igreja não substitui a igreja local. Muito mais do que estar juntos orando, lendo a Bíblia e falando de Jesus a igreja local é propósito de Deus. Na igreja existem dons de benefícios mútuos que não existem em reuniões quaisquer. Por exemplo: quem alimenta ovelha é pastor. Pastor que traz a Palavra de Deus aos nossos corações na unção do Espírito Santo. As ordenanças são para igrejas locais constituídas e não para qualquer grupo etc.

O propósito de Deus ainda continua o mesmo – Ef. 5:19, 20 “falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, sempre dando graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”.

Se você deseja ser um cristão que obedece a Palavra de Deus e um exemplo para seus irmãos na fé, participe de sua igreja. Ore por sua igreja. Seja um ofertante regular naquele lugar que o Senhor o plantou. O que mais importa não é agradarmos a nós mesmo, mas a Deus que nos amou e nos salvou. Mesmo que você não se sinta culpado em negligenciar sua igreja local. Mesmo que você se sinta satisfeito em ficar em frente a televisão ouvindo alguém falar em nome de Deus. Quero lhe lembrar que isso ainda é pecado e pecado Deus aborrece profundamente. Não se acomode e acostume com este estilo de vida.

CREIO FIRMEMENTE QUE IGREJA É LUGAR DE COMUNHÃO E VIDA.

Soli Deo Gloria.

Pr. Luiz Fernando Ramos de Souza

30 julho 2010

O DEUS DE TODA PROVISÃO

O DEUS DE TODA PROVISÃO

“E quarenta anos vos fiz andar pelo deserto; não se envelheceram sobre vós os vossos vestidos, e nem se envelheceu no teu pé o teu sapato”. Dt. 29:5

Deus é o Deus de toda provisão. Em toda história de Israel o Senhor foi aquele provedor em todas as instâncias. O povo havia saído do Egito e não tinha onde buscar suprimentos, mas tinham o Senhor o Deus de toda provisão. Durante toda peregrinação pelo deserto, 40 anos, o Senhor proveu cada necessidade. O texto nos diz que nas pequenas coisas Ele sempre foi presente. Durante 40 anos os sapatos e as roupas dos israelitas não envelheceram. Estavam guardados por Aquele que não dorme. Quando a fome apertou o Senhor lhes enviou o maná. Quando a sede estava insuportável, água da rocha saiu. Deus tem cuidado especial com aqueles que são seus. Ele não diminui, em seu ser, quando opera em favor de Seu povo. Seu poder e atuação são constantes. Hoje, Ele é o mesmo. Seu ser não sofreu mudanças. As promessas feitas foram cumpridas. Sua vontade realizada. Seu plano de salvação foi executado na cruz do Calvário. Jô afirma: “Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido. (Jô 42:2). Cada necessidade de nossas vidas será suprida em Cristo Jesus. Falta-nos confiar e descansar no amor do Pai. A grande verdade é que o Senhor nunca vai nos esquecer e desprezar. A Bíblia diz que estamos em Suas mãos e que ninguém pode nos arrebatar de lá. Da menor ou maior necessidade Ele terá cuidado. Muitas vezes achamos que Deus proverá somente coisas materiais, mas Ele supri as nossas necessidades íntimas. Ele nos dá senso de valor. Nos encoraja e estimula e acima de tudo nos da a certeza que somos aceitos em Sua intimidade. Quando ninguém nos compreender e acharmos que estamos sós, Ele nos suprirá nesses momentos. Nunca estaremos sós. Ele que provê os pardais não nos suprirá a nós que somos seus filhos? Meu irmão o Senhor é Deus de toda provisão. Vamos louvá-lo por isso e nunca nos esqueçamos que nossas vidas estão em suas mãos que podem nos suportar em qualquer situação.

Soli Deo Glória

Pr. Luiz Fernando Ramos de Souza

21 julho 2010

TUDO PARA ELE

TUDO PARA ELE

Fp. 1:20 “Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido, antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte”.

O Senhor Jesus pede de nós nada menos do que o melhor que possuímos. Esse melhor implica no tudo que temos, somos ou seremos. Essa entrega deve ser consciente e vigorosa.Quando não lhe entregamos o que nos pede, sentimo-nos envergonhados.

O apóstolo Paulo diz neste versículo: “Minha determinação/vontade é a de dar tudo para Ele”. Fazê-lo é uma questão de rendição voluntária, determinação da vontade. É uma entrega irrevogável de tudo aquilo que Ele nos pede. Essa determinação irrevogável nos levará a aprofundarmos nosso relacionamento com Deus. Se estou decidido a viver absoluta e inteiramente para Ele, cumpro Seu propósito e então experimento a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. O apóstolo Paulo estava decidido que nada o impediria de ser e fazer exatamente tudo aquilo que Deus queria. Muitas vezes nos apegamos a coisas, pessoas ou circunstâncias que nos amarram a um estilo de vida tenso e estressante. Muitos acham que são donos daquilo que lhes veio às mãos e assim sofrem muito. Uma das grandes causas do sofrimento humano está no apego. Quanto mais apegado estivermos à pessoas, bens etc. maior será nosso sofrimento quando alguma parte nos for tirada ou delas formos privados.

Muitas vezes a ordem de Deus provoca uma crise em nossa vida. Se não fosse assim, com certeza, não entenderíamos ou mesmo nos preocuparíamos com ela. Ele então lança mão de uma crise e ai somos forçados a tomar uma decisão. Decisão contra ou a favor e neste momento nos encontramos em uma encruzilhada. A melhor maneira de vivermos com qualidade é reconhecermos aquilo que o apóstolo Paulo nos diz II Cor. 6:10 "como entristecidos, mas sempre nos alegrando; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, mas possuindo tudo".

Se você passa por uma crise, em qualquer aspecto de sua vida, então renda sua vontade a Ele, de forma resoluta e irrevogável. Ele vai orientá-lo e abençoá-lo profundamente.

Nestes momentos de decisões não cabe lutar contra Deus, mas nos rendermo a Ele.

Nestes momentos deixe Jesus ser o Senhor de sua vida e Ele o conduzirá às águas tranqüilas.

Cristo deve ser engrandecido em nós tanto na vida como na morte.

Soli Deo Gloria.

Pr. Luiz Fernando R. de Souza


05 julho 2010

SONHOS, SONHOS E MAIS SONHOS

Tenho ouvido o que dizem esses profetas que profetizam mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei. Jr 23:25

Martin Luther King tinha um sonho, na padaria da Mary tem dúzia deles (inclusive de goiabada, que me faz sonhar), mas ninguém tem tanto sonhos como os levitas modernos. É tanto sonho nos louvores que os próprios pregadores fizeram de sonhos a temática de suas pregações

São sonhos de todos os tipos e para todos os gostos. Raquel Malafaia sonha "sonhos de vitória", enquanto Nani Azevedo tem "sonhos de alegria", Diante do Trono tem "sonho de amor" e Genésio de Souza tem "sonhos de louvor e adoração". Há sonhos ameaçados de morte, pois "tentaram matar os seus sonhos" (Ludmila Ferber), alguns "sonhos já morreram" (Mara Lima), mas como a Lázaro "Deus faz ressuscitar" os sonhos (Mara Lima).

Nossos sonhos são bons, mas é melhor "os sonhos que Ele sonhou para mim" (Nani Azevedo), pois "os sonhos de Deus são maiores que os meus" (Nani Azevedo). E como "infinitos são os sonhos de Deus" e por maior que sejam os nossos, os de Deus "supera seus sonhos", é melhor ficar com "os sonhos que o meu Deus sonhou pra mim" (Alda Célia), afinal "Deus sonha os teus sonhos por você" (Melissa).

Apesar de que "o sonho de Deus é maior" (Robson Fonseca), pode ser que Deus não sonhe por você. Neste caso, você mesmo pode "gerar os sonhos de Deus" (Raquel Malafaia), afinal "você foi escolhido pra gerar os sonhos de Deus" (Jossana Glessa). Não fique sem sonho, declare com J. Neto: "escolhi sonhar os sonhos de Deus" (J. Neto). Mesmo que alguém diga que "os teus sonhos são pura imaginação" (Mara Lima) e que "jovens sonhadores são ingênuos e só quebrando a cara aprenderão, não desista de seus sonhos" (Henrique Cerqueira), pois "se você acredita nos seus sonhos Deus investe em você" (Michelle Nascimento).

"Há quem diga ainda que Deus não realiza sonhos" (Beatriz Andrade), mas isso é porque "o inimigo quis roubar, tua vontade de sonhar" (Rayssa e Ravel). "Nunca deixe de sonhar, Deus pega o pesadelo e faz virar canção" (Michelle Nascimento).

Todo lugar é um bom lugar para sonhar. Raquel Malafaia sonha "dentro de um poço", lugar onde são "gerados os sonhos de Deus". Ou pode entrar "no celeiro dos sonhos" com Ludmila Ferber. E se estiver difícil sonhar, sonhe "os sonhos de Deus com o toque do shofar" (Gilmar Brito), que ajuda.

E de sonho em sonho, vamos esquecendo a realidade do evangelho...

Fonte.: Cinco solas

Soli Deo Glória.

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

25 junho 2010

O QUE ACONTECEU COM OS EVANGÉLICOS?

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Quando Paulo Romeiro escreveu Evangélicos em Crise em meados da década de 90, ele apenas tocou em uma das muitas áreas em que o evangelicalismo havia entrado em colapso no Brasil: a sua incapacidade de deter a proliferação de teologias oriundas de uma visão pragmática e mercantilista de igreja, no caso, a teologia da prosperidade.

Fica cada vez mais claro que os evangélicos estão atualmente numa crise muito maior, a começar pela dificuldade – para não falar da impossibilidade – de ao menos se definir hoje o que é ser evangélico.

Até pouco tempo, “evangélico” indicava vagamente aqueles protestantes de entre todas as denominações – presbiterianos, batistas, metodistas, anglicanos, luteranos e pentecostais, entre outros, que consideravam a Bíblia como Palavra de Deus, autoritativa e infalível, que eram conservadores no culto e nos padrões morais, e que tinham visão missionária.

Hoje, no Brasil, o termo não tem mais essa conotação. Ele tem sido usado para se referir a todos os que estão dentro do cristianismo em geral e que não são católicos romanos: protestantes históricos, pentecostais, neopentecostais, igrejas emergentes, comunidades dos mais variados tipos, etc.

É evidente a crise gigantesca em que os evangélicos se encontram: a falta de rumos teológicos definidos, a multiplicidade de teologias divergentes, a falta de uma liderança com autoridade moral e espiritual, a derrocada doutrinária e moral de líderes que um dia foram reconhecidos como referência, o surgimentos de líderes totalitários que se auto-denominam pastores, bispos e apóstolos.

A conquista gradual das escolas de teologia pelo liberalismo teológico, a falta de padrões morais pelos quais ao menos exercer a disciplina eclesiástica, a depreciação da doutrina, a mercantilização de várias editoras evangélicas que passaram a publicar livros de linha não evangélica, e o surgimento das chamadas igrejas emergentes. A lista é muito maior e falta espaço nesse post.

Recentemente um amigo meu, respeitado professor de teologia, me disse que o evangelicalismo brasileiro está na UTI. Concordo com ele. A crise, contudo, tem suas raízes na própria natureza do evangelicalismo, desde o seu nascedouro.

Há opiniões divergentes sobre quando o moderno evangelicalismo nasceu. Aqui, adoto a opinião de que ele nasceu, como movimento, nas décadas de 50 e 60 nos Estados Unidos. Era uma ala dentro do movimento fundamentalista que desejava preservar os pontos básicos da fé (veja meu post sobre Fundamentalismo), mas que não compartilhava do espírito separatista e exclusivista da primeira geração de fundamentalistas.

A princípio chamado de “neo-fundamentalismo”, o evangelicalismo entendia que deveria procurar uma interação maior com questões sociais e, acima de tudo, obter respeitabilidade acadêmica mediante o diálogo com a ciência e com outras linhas dentro da cristandade, sem abrir mão dos “fundamentos”.

Eles queriam se livrar da pecha de intransigentes, fechados, bitolados e obscurantistas, ao mesmo tempo em que mantinham doutrinas como a inerrância das Escrituras, a crença em milagres, a morte vicária de Cristo, sua divindade e sua ressurreição de entre os mortos. Eram, por assim dizer, fundamentalistas esclarecidos, que queriam ser reconhecidos academicamente, acima de tudo.

O que aconteceu para o evangelicalismo chegasse ao ponto crítico em que se encontra hoje? Tenho algumas idéias que coloco em seguida.

1. O diálogo com católicos, liberais, pentecostais e outras linhas sem que os pressupostos doutrinários tivessem sido traçados com clareza. Acredito que podemos dialogar e aprender com quem não é reformado. Contudo, o diálogo deve ser buscado dentro de pressupostos claros e com fronteiras claras. Hoje, os evangélicos têm dificuldades em delinear as fronteiras do verdadeiro cristianismo e de manter as portas fechadas para heresias.

2. A adoção do não-exclusivismo como princípio. Ao fazer isso, os evangélicos começaram a abrir a porta para a pluralidade doutrinária, a multiplicidade de eclesiologias e o relativismo moral, sem que tivessem qualquer instrumento poderoso o suficiente para ao menos identificar o que estivesse em desacordo com os pontos cruciais.

3. O abandono gradual da aderência a esses pontos cruciais com o objetivo de alargar a base de comunhão com outras linhas dentro da cristandade. Com a redução cada vez maior do que era básico, ficou cada vez mais ampla a definição de evangélico, a ponto de perder em grande parte seu significado original.

4. O abandono da confessionalidade, dos grandes credos e confissões do passado, que moldaram a fé histórica da Igreja com sua interpretação das Escrituras. Não basta dizer que a Bíblia não tem erros. Arminianos, pelagianos, socinianos, unitários, eteroteólogos, neopentecostais – todos afirmarão isso.

O problema está na interpretação que fazem dessa Bíblia inerrante. Ao jogar fora séculos de tradição interpretativa e teológica, os evangélicos ficaram vulneráveis a toda nova interpretação, como a teologia relacional, a teologia da prosperidade, a nova perspectiva sobre Paulo, etc.

5. A mudança de uma orientação teológica mais agostiniana e reformada para uma orientação mais arminiana. Isso possibilitou a entrada no meio evangélico de teologias como a teologia relacional, que é filhote do arminianismo. Permitiu também a invasão da espiritualidade mística centrada na experiência, fruto do reavivalismo pelagiano de Charles Finney. (Nota do CACP*: Aqui o autor critica a exacerbação do arminianismo... entendemos que tanto o radicalismo arminiano como o calvinista é contraproducente)

Essa mudança também trouxe a depreciação da doutrina em favor do pragmatismo, e também o antropocentrismo no culto, na igreja e na missão, tudo isso produto da visão arminiana da centralidade do homem.

Mas talvez o pior de tudo foi a perda da cosmovisão reformada, que serviria de base para uma visão abrangente da cultura, ciência e sociedade, a partir da soberania de Deus sobre todas as áreas da vida. Sem isso, o evangelicalismo mais e mais tem se inclinado a ações isoladas e fragmentadas na área social e política, às vezes sem conexão com a visão cristã de mundo.

6. Por fim, a busca de respeitabilidade acadêmica, não somente da parte dos demais cristãos, mas especialmente da parte da academia secular. Essa busca, que por vezes tem esquecido que o opróbrio da cruz é mais aceitável diante de Deus do que o louvor humano, acabou fazendo com que o evangelicalismo, em muitos lugares, submetesse suas instituições teológicas aos padrões educacionais do Estado e das universidades.

Padrões esses comprometidos metodológica, filosófica e pedagogicamente com a visão humanística e secularizada do mundo, em que as Escrituras e o cristianismo são estudados de uma perspectiva não cristã. Abriu-se a porta para o velho liberalismo.

Não há saída fácil para essa crise. Contudo, vejo a fé reformada como uma alternativa possível e viável para a igreja evangélica brasileira, desde que se mantenha fiel às grandes doutrinas da graça e aos lemas da Reforma, e que faça certo aquilo que os evangélicos não foram capazes de fazer:

(1) dialogar e interagir com a diversidade delineando com clareza as fronteiras do cristianismo;

(2) abandonar o inclusivismo generalizado e adotar um exclusivismo inteligente e sensível;

(3) voltar a valorizar a doutrina, especialmente os pontos fundamentais da fé cristã expressos nos credos e confissões, que moldaram os inícios do movimento evangélico.

Talvez assim possamos delinear com mais clareza os contornos da face evangélica em nosso país.

Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Via Bereianos

SOLI DEO GLÓRIA

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Augustus Nicodemus Lopes é pastor presbiteriano. Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte (Recife), mestre em Novo Testamento pela Universidade Reformada de Potchefstroom (África do Sul) e doutor em Interpretação Bíblica pelo Westminster Theological Seminary (EUA), com estudos no Seminário Reformado de Kampen (Holanda). É chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro.

15 junho 2010

VIDA ABUNDANTE

VIDA ABUNDANTE

Jo. 10:10

“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

O Senhor Jesus Cristo veio a este mundo com um proposto. Veio trazer vida e vida em abundância para aqueles que o aceitam como Senhor e Salvador. O homem sem Cristo está morto em seus pecados e não conhece a vida plena que Deus pode dar. Tem existência, mas lhe falta a abundância que somente está em Cristo. No grego a palavra abundância quer dizer: excedente, sobre abundante. Isso implica muito mais do que existir, mas ter excedente de vida nesse mundo. Não é algo para o futuro ou para eternidade, mas para o presente e o agora. Esta vida é dita na II Pe. 1:14 “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo”.

Esta vida é um poder diferente que atua na vida do cristão. Essa vida é de uma qualidade diferente, pois é a própria natureza divina que habita em nós. É a isso que os teólogos chamam de vida eterna. Muitos a têm como uma vida que unicamente dura para sempre, mas é muito mais mais do que isso, é uma qualidade de vida diferente inerente ao próprio Deus. Essa natureza divina em nós clama por santidade de vida e um caráter ajustado ao padrão de Cristo. Capacita e permite ao cristão entrar na eternidade. Ter comunhão com o Pai. Essa vida coloca o cristão acima de suas crises. O cristão terá suas lutas e dificuldades inerentes aos seres humanos, mas saberá distinguir um propósito superior de Deus em todas as coisas. Enquanto o homem sem Cristo tem os seus limites nesta vida, o cristão os tem em Deus.

O apóstolo Paulo nos diz que o mesmo poder que levantou Cristo de entre os mortos também nos levantará. Isso não somente em termos escatológicos, mas também nesta vida. Embora muitas vezes o cristão caia, é levantado por este poder inerente a esta vida abundante.

Esta vida abundante permitirá invadirmos a eternidade e habitarmos para sempre com o Senhor nosso Deus. Não se limita somente a esta existência, mas extrapola o tempo e o espaço. Está qualidade diferente de vida somente Cristo pode dar e Ele o faz totalmente por Sua Graça.

Cabe a nós cristãos deixarmos está vida se manifestar cada vez mais. Ela já está dentro de nós. Jesus disse que do nosso interior rios de águas vivas jorrariam. Daí entender que não precisamos lutar por essa abundância, mas liberarmos o que já foi nos dado na cruz.

Isso implica deixarmos o Espírito Santo fluir de dentro.

SER CHEIO DO ESPÍRITO NÃO É POSSUIRMOS MAIS DO ESPÍRITO, MAS O ESPÍRITO POSSUIR MAIS DE NÓS.

Soli Deo Gloria.

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

MASTERCLASS - IMERSÃO EM CRISTOLOGIA

    2026 FAREMOS UMA IMERSÃO EM CRISTOLOGIA NO DIA 21/11/2026 PELA INTERNET/ZOOM. Queridos irmãos, em novembro farei uma Masterclass - Imers...