22 fevereiro 2014

A DESCONSTRUÇÃO DE UMA DENOMINAÇÃO - CBN – Convenção Batista Nacional



Abordo nesta postagem o segundo texto do Jornal Batista Nacional, informativo oficial da Convenção Batista Nacional, edição de Setembro a Dezembro de 2013, que versa sobre o tema Unidade na Diversidade.
Neste novo texto abordado ( O 1o. texto tem como tema: Uma Denominação que se Implode - CBN- Convenção Batista Nacional - postado em 11/02/14) a autora inicia falando de seu passado na CBN, dos pastores que a influenciaram, bem como do seu crescimento teológico nos últimos 3 anos.
Tenta mostrar, como na postagem anterior, que diversidade teológica pode conviver com um sistema denominacional e assim a malha denominacional não é afetada em nada.
Em parte do texto mostra alguma coerência, mas logo em seguida demonstra incoerência.
Afirma Ipsis Litteris Conhecendo tantas igrejas (e ainda há tantas para conhecer), sempre me intriguei pelo fato de que todas, apesar de serem Batistas Nacionais, fossem de certa forma tão diferentes entre si. Isso me intrigava, porque afetava a maneira de fazer e viver missões”.
Causa-me estranheza o fato da autora afirmar seu crescimento teológico e ao mesmo tempo ficar surpreendida com o que descreve acima. Ora essas diferenças entre as igrejas Batistas Nacionais não deveria intrigar ninguém, pois não existe uma igreja igual ou similar a outra. As diferenças são bem vindas e devem ser praticadas, assegurando assim a identidade de cada igreja local. Diferenças doutrinárias, teológicas etc. que existem no meio Batista Nacional, essas sim, deveriam causar estranheza, pois não pertencem ao meio Batista. Estas diferenças somente desnudam a total incoerência teológica vivida pelas igrejas e aceita tacitamente pela CBN Nacional, que mui raramente se posiciona em termos doutrinários. A malha teológica, Bíblica, Filosófica e doutrinária da CBN já não existe em grande parte das igrejas filiadas. Por terem aceitado acriticamente vários ventos de doutrinas, incorporaram em suas eclesiologias e práticas de vida aquilo que abraçaram.
Abandonaram os antigos marcos e padrões de um modo contumaz e nada colocaram no lugar, ficando à deriva e à mercê destes ventos de doutrinas.
Um dos grandes erros das lideranças originais da CBN foi não ter gerado novas lideranças fortes e comprometidas, não somente com a Renovação Espiritual, mas com os Princípios Batistas. Talvez porque pela forma explosiva de crescimento que experimentaram, tanto de igrejas que aderiram e mesmo foram formadas à Renovação Espiritual e a urgência em coordenar esse crescimento desviou o foco daquilo que deveria ser basilar; manter o crescimento sem perder os princípios. Não se constrói uma denominação sem alicerces sólidos. Não se constrói uma denominação sem lideranças comprometidas com o futuro.
A autora diz: “Algumas das razões da minha convicção Batista Nacional vem exatamente do fato de que podemos “pensar” e nos orgulhamos de nossa capacidade “democrática” de decisão e escolha”.
Parece-me que a autora entende, como o autor do texto objeto da postagem anterior, que somente a CBN detém ou proporciona essas faculdades. Desconhece que todo sistema congregacional tem como algumas de suas características básicas essas faculdades. Parece-me que para a autora a CBN criou essas faculdades “ex-nihilo”, esquecendo-se que seus fundadores eram oriundos da CBB.
A autora faz afirmações verdadeiras e competentes, mas sempre volta para a inconsistências, parecendo que o conhecimento ainda não está plenamente assentado em sua mente ou não tem convicção daquilo que afirma. Veja esta afirmativa: “Denunciamos e repudiamos a manipulação e somos livres para exercer a nossa vocação no contexto que acharmos apropriado, contanto que princípios de fé e prática não sejam maculado”.
Realmente, nós batistas, repudiamos a manipulação porque entendemos e aceitamos por princípio que todo homem deve ser livre para compulsar a Palavra de Deus e busca-lo em todo tempo, preservando sua individualidade, consciência e disto advêm outro princípio batista de que deve haver separação entre Igreja e Estado e qualquer interferência nas duas vias é indesejável.
Logo em seguida a autora afirma que as diferenças provocam separações e que vários pastores questionam se vale a pena ou se tem alguma vantagem em permanecer ligados à CBN. Ela responde, talvez sem perceber, seus próprios questionamentos postulados anteriormente no texto, sobre as igrejas ligadas à CBN serem tão diferentes. As diferenças teológicas, eclesiológicas, doutrinárias etc. forçosamente produzem essas posturas segregadoras dos pastores e igrejas a ponto dos mesmos não encontrarem mais motivos para permanecerem, abraçando ensinos de grupos ou líderes que prometem crescimentos explosivos de igrejas e consequentemente aumento no volume financeiro dos caixas das mesmas.

A autora se queixa de pastores participarem de Conselhos de Pastores locais, seminários exóticos, escolas de líderes etc. e de trem entregado seus corações a tais movimentos. Isso é simplesmente consequência de não terem encontrado coerência e objetividade em sua denominação. Isso é simplesmente reflexo do comportamento de lideranças denominacionais acéfalas que, por terem abraçados pressupostos da pós-modernidade, se eximem de qualquer posicionamento doutrinário e teológico. Como exemplo temos que ao ser tratado o assunto da ordenação feminina, simplesmente empurraram para as igrejas locais tal decisão, em uma completa demonstração de covardia e de um exacerbado complexo de Pilatos. Lavaram suas mãos ao invés de se voltarem para os textos neotestamentários para sacarem dali uma definições para toda denominação. Como um largo espectro dos pastores da CBN é avesso ao estudo consistente das Sagradas Escrituras, preferindo sentimentos, achismos e ensinos distorcidos, consagraram suas mulheres e uma enxurrada de outras e agora nos deparamos com uma Hidra de Lerna pedindo passagem. Se perguntássemos aos pastores o porquê de tais consagrações e se tiveram bases teológicas e bíblicas, e se fossem honestos em suas respostas chegaríamos à conclusão que quase 100% diriam que não.

Essa lassidão e comportamento Laissez-faire praticados por lideranças denominacionais desconstruíram toda uma denominação.

Esse complexo de avestruz praticado por várias lideranças é pura sandice.

Finalmente a autora afirma: “Movimentos celulares, ministérios apostólicos, igrejas de pastoras, conselhos de ministros estaduais, escolas de formação de líderes, congressos de avivamentos mil e outros eventos não representam a Convenção Batista Nacional. Mas, nada impede que nos envolvamos com isso....”.

Ao mesmo tempo que faz uma afirmação magnifica a destrói logo em seguida com um forte antagonismo.

Por sermos batistas estamos impedidos sim de participarmos de movimentos celulares em toda sua plenitude com suas nuances loucas e destruidoras. Estamos sim impedidos de participarmos de movimentos apostólicos compostos por homens megalomaníacos e com uma desfaçatez sem precedentes. Poderia continuar, mas acho que já basta.

O que me incomoda é que a autora ensina em várias igrejas e fico a me perguntar: ensina o que? Qual doutrina ensina se para ela não importa a fonte doutrinária? Se quando fala o diz como representante da denominação?

Vivemos uma total desconstrução de uma denominação. Se em um mesmo exemplar do informativo oficial da denominação vemos tais sandices o que esperar do futuro?

Ainda há tempo de mudar. Nosso futuro não depende de nossas circunstancias, mas de nossas decisões/atitudes agora.

Que o Senhor se apiede de nós.

Soli Deo Gloria

 

Pr. Luiz Fernando R. de Souza




10 comentários:

  1. Sou pastor batista Nacional e tenho convicção que estamos passando por emaranhado de doutrinas e ensinamentos que nada tem a ver com os princípios defendidos por nós batistas. Concordo, plenamente, que precisamos ser mais preciso em nossas decisões. Não só a nossa liderança, mas cada pastor deve defender esses princípios nas igrejas locais, pois só assim poderemos salvar nossa denominação da implosão.

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    1. Prezado colega Pr. Lurdeo,
      o colega foi preciso em suas colocações. Mas como os pastores batistas nacionais devem defender os princípios batistas se muitos deles os desconhecem? O caminho é um só: voltarmos urgentemente para aquilo que nunca deveríamos ter abandonado. Nossos seminários passarem a entender que precisam forjar pastores batistas e ponto final. As Ormibans regionais reciclarem seus pastores. Continuemos lutando pela fé que uma vez foi entregue aos santos.
      Um forte abraço
      Em Cristo

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  2. Sou pasto Batista da convenção Brasileira. Acredito que tem sido deixado de lado o verdadeiro livro de fé regra e pratica para seguir o achismo humano e assim mergulha se no mar de engano do evangelho da desconstrução.

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    1. Prezado colega Pr. Welyngton,
      obrigado por sua visita. Precisamos sim deixar o achismo e nos firmamos na Palavra. Precisamos pregar sobre todo conselho de Deus. Acima de tudo não removermos os marcos lançados.
      Um forte abraço
      Em Cristo

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  3. Pr Maurício Batista
    Sou pastor da CBN, tenho lido seus textos, e folgo-me tais colocações. Precisamos sim de uma liderança que junto com um corpo tome decisões e não se omitam em assuntos tão importantes de nossos dias. Porque outros estão fazendo e "colhendo fruto de enxerto" não cabendo a nós o julgamento, não são eles os nossos referenciais, mas a sã doutrina e os ensinamentos dos apóstolos. O texto de Sl 11.3 diz " Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer os justos".

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    1. Prezado colega Pr. Maurício,
      exatamente o que o colega colocou. Precisamos de firmeza e postura em uma hora decisiva. Ainda precisamos nos solidificar em termos de uma eclesiologia e pneumatologia para nos consolidarmos como denominação.
      Um forte abraço

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  4. PR. ADEMIR DE O. REIS2 de agosto de 2014 13:08

    Prezado Pr. Luiz, Parabéns pelo posicionamento. Sou Pr. Batista Nacional, Batista de berço, estou com 51 anos, nos quais 35 fui membro da CBB e diga-se de passagem, com muito orgulho, mas acredito que para evitarmos a absoluta desconstrução de nossa Convenção Batista Nacional, é preciso pensar com urgência na recosntrução da mesma, repensar e voltar às nossas bases. Deixamos de valorizar nossos valores doutrinários, permitindo inovações que mais trouxeram prejuizo e descaracterização. Infelizmente perdemos a chancela de um Enéias Tognini , um José Rego do Nascimento, etc. Ou a atual liderança redesenha e reconstrói enquanto há um fio, ou lamentávelmente haverá um grande esvaziamento e não apenas uma desconstrução, mas sim um desabamento denominacional, infelizmente.

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    1. Meu caro colega Pr. Ademir, infelizmente não acredito que haja possibilidade de reconstrução porque a liderança não abre mão do poder, não permite uma oxigenação da denominação e muito menos expressa capacidade administrativa, haja vista, o fim do STEB em Minas Gerais por simplesmente falta de gestão e ai sucumbiu com uma dívida astronômica e o pior é que tudo foi jogado para debaixo do tapete. Falarmos de princípios e valores não encontra eco em uma denominação em que um de seus vices presidente advoga absurdos doutrinários e isso exposto no Jornal da convenção, assunto que foi tratado em outra postagem neste blog. Assim sendo, vejo um colapso eminente para infelicidade de todos.
      Agradeço sua visita ao blog e que o Senhor o abençoe ricamente.

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  5. Yuri Bauer Grambow
    Não se pode generalizar. Existe dentro da CBN igrejas que ensinam a palavra pura, porem essas são imperceptíveis aos olhos largos. É mais fácil perceber a explosão da teologia da prosperidade do que a força dos pequenos, igrejas que foram abertas por inspiração e direção de Deus no texto de Apocalipse 3:8.
    É tipico de Deus honrar os menores, imperceptíveis, fracos, e desprivilegiados.
    Esse povo existe no meio CBN e será honrado por sua perseverança.
    A verdade é que a ganância e avidez por dinheiro acometem à muitos e dentro da liberdade de pensamentos da CBN, muitos declinaram-se para este lado "laodiceano", como todos podem ver.
    No entanto, nossa falha é transparente e já a conhecemos. Não sofremos do problema de muitos que assim padecem também, mas por baixo dos panos.
    Contudo penso que somos uma única igreja de Cristo, e se assim não for, tem algo errado. Penso também que se a igreja é de Cristo e este não veio para condenar mas para salvar, então este assunto não é de nossa competência.
    Não por falta de vontade, mas por este princípio supracitado, não julgo fora da irmandade os próprios pais da T. prosperidade (de onde surge todas as mazelas citadas no texto, com a finalidade de angariar mais dinheiro).
    Só aguardo o julgamento do justo, a ceifa do grande ceifeiro.
    E que assim seja!

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    1. Meu caro irmão Yurii, entendi suas colocações, mas vale ponderar sobre algumas delas: 1 - É claro que existem igrejas que anunciam a Palavra com coerência e equilíbrio, mas não é disso somente que falo. Falo das incoerências de nossas lideranças maiores responsáveis pelo tom da convenção. Essas largaram mão dos princípios batistas e como sempre fazem ouvidos moucos às heresias que adentraram. Por exemplo: a aceitação tácita do apostolado. O irmão conhece algum apóstolo em nosso meio que foi repreendido ou encorajado a deixar esta besteira? Eu não conheço. 2 - Além da Teologia da Prosperidade temos aberrações como Cura Interior, Benção e Maldição, Quebra de Maldição Hereditária, Dar legalidade para o Diabo, pastor cheira bíblia etc. Tais práticas acontecem e nenhuma liderança se prontifica a confrontar dai termos a desconstrução da CBN rapidamente. 3 - Não a adianta as falhas serem transparentes se não procurarmos estancá-las de pronto. Elas crescerão e corroerão a malhas doutrinária das igrejas. 4 - Não creio que o complexo de avestruz seja saudável. Deixar de apontar os erros é uma atitude infantil e covarde. Não encontro essa postura no Novo Testamento, mas o contrário. Vejo confrontações fortíssimas entre os cristãos. O irmão conhece bem a história da igreja e sabe dos vários concílios ocorridos que expulsaram dezenas de hereges da comunhão da igreja. Como disse M. L. King: " O que me incomoda não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons".

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