04 janeiro 2021

Crie Hábitos, Não Resoluções


Mudar é o sonho mais profundo do coração humano. Todos gostaríamos de nos tornar alguém novo. É também a grande promessa do evangelho — que Jesus faz novas todas as coisas.

Com o ano se transformando gradualmente num ano novo, o mundo todo está capturado pelo sonho de mudança. De certa forma, isto é maravilhoso. Há graça comum em um calendário que regularmente nos apresenta oportunidades de reconsiderar como vivemos. A enxurrada de resoluções feitas nesta época do ano nos lembra que realmente ansiamos por ser renovados.

Mas há também um lado sombrio. Desperdiçamos este desejo redentor de sermos renovados em resoluções que não têm poder para nos mudar. Nesta semana, muitos de nós faremos resoluções ambiciosas e radicais; e em menos de um mês nossa amnésia coletiva se instalará. Nossas esperanças serão discretamente descartadas, e nossa notável capacidade de esquecer será a única coisa que nos livrará do constrangimento de tudo isso.

Portanto, aqui está um desafio para o próximo ano: não faça resoluções — crie hábitos.

Ao contrário das resoluções, nós realmente nos tornamos nossos hábitos. Não há vidas transformadas sem hábitos mudados. E se quisermos realmente mudar, necessitamos olhar sobriamente em que direção nossos hábitos estão nos levando.

O Poder dos Hábitos

Os hábitos formam quem somos, porque os hábitos são pequenas liturgias de adoração.

Reflita sobre isto. Um hábito é algo que fazemos repetidas vezes sem perceber. Nós acordamos e acessamos o Instagram. Parados no semáforo, checamos nossas mensagens. Recebemos um e-mail de trabalho polêmico e verificamos as manchetes dos jornais, ao invés de encarar a tarefa.

Pode ser que fiquemos vagamente irritados com essas coisas, mas provavelmente não as consideramos como profundamente formativas. Estamos terrivelmente enganados.

Na raiz de cada uma destas pequenas liturgias está a busca por algo fundamental — nossos olhos buscam nas fotos uma visão da boa vida; no semáforo temos um comichão por conexões com outros seres humanos; nos momentos difíceis de trabalho, percebemos que preferimos nos entorpecer com a distração do que enfrentar a dor da vida em si mesma.

O homem foi feito para adorar, portanto não conseguimos parar de adorar. Jamais. E sob cada um destes pequenos momentos, ordinários e tremendamente poderosos, há um hábito de adoração. Em um mundo onde novos hábitos tecnológicos estão surgindo em todos os aspectos de nossas vidas, não fazer nada é, na verdade, fazer algo extraordinário. É se submeter a uma ordem moderna estranha e desfigurada de adoração.

Isso nos confronta com um problema: se desejamos ser treinados no amor de Deus e ao próximo, necessitamos controlar nossos hábitos.

Problema Moderno, Solução Antiga

Por milênios, comunidades de cristãos se comprometeram com os padrões comuns do hábito como forma de resistir à conformação a hábitos culturais, e seguir a conformação no amor a Deus e ao próximo. Esta prática tem vários nomes e formas, mas no contexto monástico esses programas comunais de hábito foram às vezes chamados de “regra de vida”.

Alguns acham que estas práticas são legalistas. Isso é compreensível, porque se tentássemos cultivar hábitos para ganhar o amor de Deus, elas seriam legalistas. Mas quando estamos tão enamorados com o amor de Deus que decidimos ordenar cada parte de nossas vidas de acordo com este amor — isto é simplesmente responder à beleza de nosso Salvador. Hábitos à frente do amor é legalismo. Mas o amor à frente dos hábitos é a lógica da graça.

O fascinante sobre o nosso momento atual é que já estamos adotando semiconscientemente uma nova regra de vida. Mas esta nova regra de vida não é projetada por aqueles que se preocupam com nossa conformação à imagem de Cristo — ela é projetada por empresas que querem atrair a nossa atenção e vendê-la para os anunciantes. Não fazer nada é adotar uma regra de vida competitiva que está tentando fazer com que creiamos que somos amados por causa daquilo que compramos, publicamos, lemos, realizamos ou pensamos. Não fazer nada é nos submetermos a uma regra de vida que tenta nos convencer a desistir da beleza do evangelho.

Precisamos acordar urgentemente. Existe uma maneira melhor, e se situa na elaboração de uma regra de vida que usa hábitos comuns para nos educar no evangelho.

Não necessitamos de novas resoluções — necessitamos de uma regra de vida melhor. Necessitamos de hábitos de formação contrária que invadam todas as horas dos nossos dias, nossos ritmos de trabalho e nossos padrões de vida comunitária. Necessitamos de pequenos hábitos que nos apontem para o evangelho de Jesus em momentos grandes e pequenos.

É por isso que convido as comunidades a tentarem a Regra Comum.

Adote a Regra de Vida Comum

A Regra Comum é um padrão comum de quatro hábitos diários e quatro semanais, destinados a combater o caos da nossa moderna vida tecnológica. Destina-se a ser feita com outras pessoas, e é projetada para levar a vida comum em direção ao amor a Deus e ao próximo.

[Nota do editor: Os seguintes pontos foram traduzidos do site sobre a Regra Comum.]

Os hábitos diários são:

  1. Ler as Escrituras antes de ligar o celular.
  2. Desligar o celular durante uma hora para estar presente com os ao seu redor.
  3. Comer uma refeição na mesa com a sua família ou amigos.
  4. Ajoelhar três vezes no dia para orar.

Os hábitos semanais são:

  1. Uma hora de conversas intencionais com amigos.
  2. Abstenha de alguma coisa, pode ser comida ou algum conforto, por 24 horas. Isto ajuda a colocar o seu foco em servir Deus e outros.
  3. Gasta só quatro horas nas mídias sociais.
  4. Pratique o descanso do sábado.

Estes hábitos visam interromper os padrões de conformação cultural que atualmente moldam nossas vidas, e introduzem hábitos que nos levam à comunhão, à presença e à crença no evangelho mais profundamente.

Portanto, aqui está o desafio: não faça nenhuma resolução este ano. Em vez disso, encontre alguns amigos em sua igreja ou pequeno grupo e passe os primeiros 31 dias de janeiro cultivando alguns dos hábitos da Regra Comum.

Pr. Justin Whitmel Earley 

Traduzido por Victor Santana - Coalizão Pelo Evangelho

 

 

Um comentário:

  1. Muito bom o texto. Grande abraço e excelente 2021 pra você e os seus.

    ResponderExcluir

O PEQUENO SERÁ POR 1000

                                               O PEQUENO SERÁ POR 1000 “ O menor virá a ser mil, e o mínimo uma nação forte; eu, o SENHOR,...