03 fevereiro 2013

UM DEUS DECEPCIONADO

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Remexendo meus arquvos no computador encontrei este texto escrito em 07/2002 aproximadamente que foi publicado no Jornal da Convenção Batista Nacional. Embora escrito há mais de 15 anos ainda é pertinente para nossos dias.                
                                                    UM DEUS DECEPCIONADO
Creio que Deus está decepcionado com sua igreja. Seu plano original já há muito foi abandonado por aqueles que a dirigem e compõem. Estamos imersos em um profundo capitalismo travestido de espiritualidade. Nossos alvos, nossas técnicas de administração eclesiástica, nosso evangelismo estão amparados por metodologias de marketing. Tornamo-nos em igrejas onde a santidade não é mais o padrão e sim o bem estar dos membros. Oferecemos não mais o perdão dos pecados mas cura para o corpo como fator primordial. Privilegiamos a alegria a qualquer custo ao invés da felicidade do choro.
Vejo algumas mudanças que trarão enormes prejuízos para o Reino de Deus:
1 – A extrema ênfase dada ao louvor ao invés da Palavra. Hoje se fala que o louvor é meio de libertação e crescimento da igreja. A primazia é dado ao louvor, enquanto a Palavra é preterida. Os momentos de louvor em nossas igrejas excedem, em muito, o tempo dedicado a Palavra. Como Deus falará conosco se a exposição da Palavra ocupa lugar secundário? Que tipo de crescimento os membros de nossas igrejas estão tendo?
Para os puritanos a exposição da Palavra era o centro do culto. E vejo como gravitamos por outros centros hoje em dia. Ainda temos uma nova postura adentrando nossas igrejas. Os dirigentes de louvor estão ficando de costas para a congregação, porque devem adorar somente a Deus. Isso não é espiritualidade, mas falta de educação. E o que me espanta é que ninguém questiona se é bíblico ou não, se tem respaldo histórico ou não ou no mínimo se tem bom senso ou não.
Vejo hoje a igreja evangélica brasileira com 200 km de extensão e 2cm de profundidade. E o corolário disso é que qualquer vento de doutrina que se apresenta com cara de espiritualidade, modifica toda a estrutura comportamental de nossa denominação.

2 – Hoje abraçamos uma terminologia doente que vem nos descaracterizando como Batistas Nacionais. Hoje tudo é mover do Espírito. Qualquer novo movimento, mesmo que seja psicológico, é tido como mover do Espírito, haja vista, os encontros (G12). Por desconhecermos a história, achamos que isto é uma novidade e é tremenda. Nada disto. Desde os anos 40 vários movimentos vêem se apresentando como reformadores e avivalistas. Dentre eles temos: Movimento de Restauração; Chuva Serôdia; Discipulado etc.
Os encontros que preconizam experiências novas, exóticas e que introduz a “Nova Visão da Igreja em Células”, nada tem de novo e mesmo de espetacular. Nos idos de 1970 o movimento de discipulado, com seu maior expoente Juan Carlos Ortiz, já trazia em seu bojo a igreja em células. Mas achamos que é o mover de Deus e é o modelo bíblico. Creio ser mais uma estratégia de evangelização, etc. As igrejas nos lares do Novo Testamento só ocorreram por fatores históricos, sociais e financeiros. 
Como fator histórico temos que o cristianismo era uma religião nova. Sofria com a imposição e perseguição romana que só foram afrouxadas no 4o  século por Constantino(313-337) com o Édito de Milão, que concedeu liberdade de culto para os cristãos. Neste período vários templos pagãos desocupados foram oferecidos para os cristãos e muitos outros foram transformados em templos cristãos. Os sucessores de Constantino passaram a destinar dinheiro do Estado, que antes era ofertado para as religiões pagãs, para os cristãos que passaram a construir templos, etc.
Com isso, veio também o esfriamento missionário e espiritual, o que gerou a criação dos mosteiros para se preservar a sã doutrina e espiritualidade.
Socialmente e financeiramente os cristãos sofriam com as perseguições judaicas e mesmo com a possibilidade de ser opositora do Império Romano. Como salientou o apóstolo Paulo em I Cor 1:26 “Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos. nem muitos os nobres que são chamados”, daí termos uma igreja pobre, sem recursos para investir em templos ou em uma religião institucionalizada. Logicamente as reuniões ocorriam nas casas e na catacumbas romanas.
Agora dizer que isto é a estratégia final de Deus para a Igreja é cometer suicídio histórico, cultural e mesmo bíblico.
Temos também os novos jargões: Sonhar os Sonhos de Deus e Atos Proféticos. Pergunto: Desde quando Deus tem sonhos? Não encontro na Bíblia, História e Teologia esta terminologia. Sonho é produto de sono e a Palavra nos diz que: “Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não dormitará. Eis que não dormitará nem dormirá aquele que guarda a Israel”.
Deus não sonha, Ele tem propósito, designo e objetividade. Mas fomos invadidos com esta terminologia espúria. Ou nossa teologia está doente ou não temos teologia nenhuma.
E o que dizer dos Atos Proféticos?. Não encontro isso na Bíblia. Encontro sim Profecia como Dom do Espírito Santo. Mas creio que porque este dom esteja faltando à igreja, o estejamos substituindo por atos proféticos, que talvez sejam uma pré-profecia. Na marcha para Jesus os cristãos param diante das prefeituras e expulsam os demônios de lá, porque entendem que ali está a sede do governo municipal. Como se isso fosse libertar as cidades dos demônios. Basta ver as estatísticas para vermos que após tais atos proféticos, a criminalidade não diminuiu, o tráfego de drogas continua a avançar, o nível de prostituição vem aumentando. Mas achamos que isso é suficiente. Suficiente é a velha fórmula do evangelismo, pois, onde entra a luz do Evangelho, as trevas do pecado são extirpadas.
Parece-me que a última novidade em termos de atos proféticos será ungir a cidade de Belo Horizonte com óleo, através de um avião. Alguns cristãos, talvez, aluguem um avião, e após consagrarem o óleo, o aspergirão sobre a cidade. Fico pensando no ridículo deste ato. O que Deus deve estar pensando sobre sua igreja? E. M. Bounds em seu clássico livro Poder Através da Oração já dizia: “O homem procura métodos, Deus procura homens. O método de Deus é o homem”. Estamos presos a métodos como se Deus ungisse métodos. Há pouco tempo conversando com um colega, ele me disse que no início dos encontros a afirmação era que a unção estava na Visão do Modelo dos Doze, como se Deus se esquecesse que é através do homem (igreja) que Sua obra é realizada. Deus não unge com Seu Espírito Santo visão ou métodos.  Por outro lado, unção com óleo não é para coisas e sim para pessoas. No Novo Testamento só encontramos 02 passagens sobre unção óleo em Mc. 6:13 e Tg. 5:14. Só que a ênfase recai sobre a passagem de Tiago que nos leva a aceitar a unção com óleo somente para cristãos enfermos. Mas hoje se unge carteira de trabalho, Holerites, mãos dos membros da igreja para prosperidade, automóveis etc.
Por abandonarmos nossas Tradições e sacrificarmos a História no altar do pragmatismo, estamos vivendo momentos turbulentos em nossa denominação. II Tes. 3:6 “Mandamo-vos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebestes.
Muito mais poderia ser dito, mas em outra oportunidade poderá ser mais propício.
No próximo artigo, se houver oportunidade, gostaria de falar sobre Por que Fazer Votos?, Consagração de Apóstolos e Colocar-se Debaixo da Cobertura.
Que Deus nos ajude a voltarmos para a simplicidade do evangelho.

Soli Deo Gloria

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

2 comentários:

  1. A Paz Do Senhor,
    Pertinente, também são as pregações do passado.Hoje,só balela.Pregações vazias,s/conteúdo
    Sejamos fortes e corajosos p/pregar o Evangelho e lutar contra estes senhores q.se dizem profetas para esta geração mas, que, não trazem nenhum beneficio a este povo!!
    Abraços
    Se der visite:rubclerm.blogspot.com.br

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    1. Prezado irmão Rubcler,
      realmente existe uma carência de pregações com conteúdo e contundentes. Estamos fartos de tanto palavrório e pouca Bíblia.
      Obrigado por sua visita.
      Um abraço
      Em Cristo
      Pr. Luiz Fernando

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