15 março 2010

UTILIZE MÉTODOS, MAS NÃO CONFIE NELES, CONFIE EM DEUS


John Piper

Isto parece tão simples; e, como um princípio, é bastante simples. Mas, na prática, nós, pecadores, somos inclinados a confiar nos meios e não em Deus. Faço planos freqüentemente e percebo que meu entusiasmo cresce ou diminui, à medida que os planos sãoperspicazes ou não. Isto é confiar em planos e não em Deus. Sem dúvida, Ele deseja que utilizemos meios para realizar a sua obra. Todavia, é evidente que Deus não deseja que confiemos nestes meios. “O cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas a vitória vem do Senhor” (Pv 21.31). Portanto, nossa confiança deve estar no Senhor e não em cavalos. “Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do Senhor, nosso Deus” (Sl 20.7).

A vida de George Müller foi dedicada a comprovar esta verdade. Em certa ocasião, ele explicou como esta verdade se relaciona à nossa vocação. Devemos trabalhar para obter nosso sustento e suprir nossas necessidades. No entanto, não devemos confiar em nosso trabalho, e sim em Deus; pois, do contrário, sempre estaremos ansiosos pelo fato de que nossas necessidades não serão satisfeitas, se não pudermos trabalhar. Entretanto, se estamos confiando em Deus, não em nosso trabalho, e se Ele ordenar que percamos nosso trabalho, podemos estar certos de que Deus satisfará nossas necessidades; assim, não precisaremos ficar ansiosos. Eis a maneira como Müller apresentou o assunto:

Por que estou realizando este trabalho? Por que estou envolvido neste negócio ou nesta carreira? Em muitas instâncias, no que diz respeito à minha experiência, que reuni no ministério entre os crentes, durante os últimos 21 anos, creio que a resposta seria: “Estou envolvido em minha vocação terrena para que tenha meios de conseguir as coisas necessárias da vida, para mim e minha família”. No que se refere à vocação terrena dos filhos de Deus, este é o principal erro do qual resultam quase todos os demais erros nutridos por eles — não é bíblico nem correto estar envolvido em um negócio, uma profissão, uma vocação apenas para ter meios de conseguir as coisas necessárias à vida, pessoal e familiar. Mas, devemos trabalhar, porque é a vontade de Deus para nós. Isto é evidente das seguintes passagens bíblicas: 1 Tessalonicenses 4.11-12, 2 Tessalonicenses 3.10-12 e Efésios 4.28.

É verdade que o Senhor provê as necessidades da vida por intermédio de nossa vocação secular. No entanto, esta não é a razão por que devemos trabalhar; isto é bastante claro da seguinte consideração: se o possuirmos as coisas necessárias à vida dependesse de nossa capacidade de trabalhar, nunca ficaríamos livres de ansiedade, pois sempre teríamos de perguntar a nós mesmos: “O que farei quando estiver velho e não puder mais trabalhar? Ou quando, por causa de enfermidade, for incapaz de ganhar o pão de cada dia?” No entanto, se, por outro lado, estamos envolvidos em nossa vocação terrena, porque é a vontade de Deus que trabalhemos e que, fazendo isso, sejamos capazes de suprir nossas necessidades e de nossos queridos, bem como ajudar os fracos, os doentes, os idosos, os necessitados; assim, temos um motivo excelente e bíblico para dizermos: “Se agradar ao Senhor colocar-me na cama, por causa de enfermidade, ou impedir-me, por causa de doença, idade avançada ou falta de emprego, de obter o meu pão de cada dia, por meio do trabalho de minhas mãos, meus negócios ou minha profissão, Ele mesmo providenciará o necessário para mim”. (Uma Narrativa de Algumas das Realizações do Senhor para com George Müller — vol. 1, escrito por ele mesmo; Muskegon, Michigan, Dust and Ashes Publications.)

Esta verdade se aplica não somente à nossa vocação secular, mas a todas as áreas de nossa vida. Momento após momento, usamos meios para manter nossa vida e realizar os propósitos de Deus (comida, telefone, casa, remédios, carro, pedreiros, médicos, etc.). Temos de aprender a lição de não confiar nestas coisas, quando as usamos, e sim confiar em Deus. Isto se aplica também ao planejamento para a nossa igreja. Fazemos planos. Elaboramos orçamentos. Ensinamos e aconselhamos. A tentação permanente é a de confiarmos nestas coisas e não em Deus, para agir com, por intermédio de ou sem estas coisas. Portanto, enquanto sonhamos a respeito de missões e de nosso ministério, utilizemos meios, mas confiemos em Deus. As promessas dEle são as únicas coisas seguras. Todos os nossos meios são falíveis.

George Müller resumiu assim este princípio:

Este é um dos grandes segredos relacionados ao serviço bem- sucedido para o Senhor — trabalhar como se todas as coisas dependessem de nossa diligência, mas, apesar disso, não depender do menor de nossos esforços, e sim das bênçãos do Senhor” (Narrativa, vol. 2, p. 290).

Ou, conforme a Bíblia o diz: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12-13). E conforme Paulo também declara: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Co 15.10).

Que o Senhor nos conceda estarmos livres de toda ansiedade, enquanto confiamos nEle, em vez de confiarmos nos meios que utilizamos.

Fonte: www.editorafiel.com.br

Soli Deo Glória.

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

6 comentários:

  1. Reverendo Luiz Fernando,

    recebi seu e-mail de seu blog e pedindo sua permissão estou seguindo o mesmo.

    Convido ao amado Pastor para conhecer o nosso Blog e continuarmos esta troca de tão importantes informações e conhecimentos que isto aqui nos trás.

    Um Abraço Pr. Gualter Guedes

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  2. Caro Pastor

    Excelente reflexão num momento em que métodos, fórmulas e manuais para o sucesso "gospel" são tão procurados.

    Como é tentador buscarmos formas de encurtar o caminho para a felicidade não é mesmo? Como é tentador deixarmos a ansiedade, o consumismo e a ética líquida desta pós-modernidade tomarem as rédeas da nossa vida e nos envolverem em uma névoa que sempre faz com qua a confiança no Senhor e a certeza de só existirmos pela graça restem tão prejudicadas.

    Oremos para que nesta jornada diária a névoa de incertezas que nos cerca não nos desvie do caminho da cruz, que não nos faça perder o foco, que não nos envolva em nossas aflições diárias, mas que ela, a névoa, seja um momento oportuno para comprovarmos o que é lâmpada para nossos pés e descansarmos em Quem venceu o mundo

    Estou sempre por aqui, forte abraço!

    Prof.Ms.Leonardo Portela
    Faculdade Autônoma de Direito - SP

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  3. Prezado Pr. Gualter,
    para mim é um prazer ê-lo como seguidor do blog. Vou visitar sim seu blog. Acredito que possamos fazer mais para o Reino quando estamos em plena comunhão.
    Um abraço
    Em Cristo

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  4. Prezado irmão Leonardo,
    somente em Deus alcançaremos descanso para nossas almas, somente nEle teremos o alívio necessário para nossas angústias. Realmente a névoa precisa servir como contraste com a luz da Palavra. Creio que os nossos métodos devem se resumir em Deus. Ele é e sempre foi suficiente para nos conduzir bem.
    Um abraço
    Em Cristo

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  5. Pr. Luiz Fernando,

    o resultado prático de se crer na completa soberania divina é saber que nada foge ao Seu controle, e de que tudo está debaixo de Suas potentes mãos.

    Assim, o crente não precisa e não deve ficar ansioso, angustiado, perplexo, desesperado. A doutrina da soberania de Deus nos coloca em nossos lugares, como criaturas impotentes e frágeis, completamente dependentes da graça, misericórdia e bondade de Deus.

    O interessante é que mesmo para quem tem o entendimento escriturístico dos atributos de Deus, ainda assim, nos vemos atordoados e inseguros quando as coisas não andam bem, ou há um revés na bonanza. E, sabiamente, o Senhor nos ensinará a confiar, a depositar tudo em Suas mãos, sabendo que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que O amam, pois Ele é fiel.

    Quanto aos métodos e "táticas" evangelicais, tudo o que não é bíblico não foi ordenado pelo Senhor, logo, não procede dEle. Se a igreja estivesse consonante apenas com as práticas escriturísticas, não haveria, certamente, tantos desvios, paganismo, secularismo e cristãos nominais em seu seio. Afinal, escancaramos as portas para o mundano e, desta forma, os ímpios aglomeram-se na assembléia que deveria ser apenas dos santos.

    Forte abraço, meu irmão!

    Cristo o abençoe!

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  6. Prezado irmão Jorge,
    corretamente o irmão expressou sobre a soberania de Deus. Mas vale lembrar que somos pó e por isso ainda nos angustiamos com as tribulações da vida. Faz parte de nosso quinhão o angustiar-se nesta vida. Certamente a obra do Espírito Santo dentro de nós nos conduz à maturidade e isso pode levar algum tempo. O mais importante, como o irmão ressaltou, é nos firmarmos em Deus e não nos prendermos a estratagemas humanos.
    Um abraço
    Em Cristo

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