31 julho 2012

A BÍBLIA CONTEM ERROS. Also Sprach Caio Fábio - Assim Falou Caio Fábio




No vídeo acima Caio Fábio esposa a tese que a Bíblia contém erros e que é somente um livro do homem. Também afirma que Deus teria outros tantos livros mais significativos que a Bíblia. Procurei entender e mesmo usar de compaixão para com o autor destas afirmativas, mas somente encontrei alguns sentimentos lá no fundo de minha alma, desprezo e indignação. Depois de tantas décadas lendo e estudando a Palavra de Deus Caio Fábio, como um sábio e santo professor, guru e mestre dos desalmados exara essas pérolas teológicas.
Vamos ver alguns enganos que essas afirmativas apontam:
Quando Caio Fábio critica os estudos teológicos e o faz nas pessoas dos exegetas está descontruindo 2000 anos de pensamentos e estudos sistemáticos. Critica a exegese porque não sabe praticá-la. Despreza o estudo sistemático das Escrituras Sagradas porque não possui mais paixão para conhecer profundamente a Revelação de Deus. Quando o coração está frio para com Deus perdemos a fome do saber. Acostumamo-nos com a mesmice e nossas respostas são sempre as mesmas.
Quando Caio Fábio diz que o cristianismo nunca leu a Bíblia tendo Jesus como chave hermenêutica está afirmando que parece que somente ele descobriu essa verdade que esteve oculta por séculos. O centro de toda a Bíblia é Cristo e sua obra salvadora. Nada de espetacular na afirmação de Caio Fábio. Ele acerta nesta afirmativa, pois é coerente com o conteúdo bíblico. Só que esta afirmativa não é nova. Toda a tradição cristã já trilha este caminho há séculos. Os apóstolos já interpretavam o Antigo Testamento à luz de Cristo, tanto que aplicaram várias passagens do A. Testamento a Cristo e sua obra na cruz. Os pais da igreja também fizeram o mesmo. Então é coisa comum no seio do cristianismo. Agora dizer que nunca o cristianismo leu a Bíblia a partir de Cristo é uma hipérbole, no mínimo.
Quando Caio Fábio afirma que a Bíblia não é inerrante ele ultrapassa os limites da lógica, do bom senso e entra no pântano do relativismo. Sim, Caio Fábio com esta afirmação deixa o terreno da tradição cristã sadia para dar as mãos com os hereges. Vamos ver porque a Bíblia precisa ser inerrante:
Porque a Bíblia é a Revelação de Deus.
O que o homem conhece de Deus foi aquilo que Ele quis revelar ao homem. O homem nunca teve ou terá a capacidade de conhecer a Deus plenamente, mas aquilo que ele conhece foi Deus que o revelou, por isso nosso conhecimento de Deus é limitado e parcial. Mas aquilo que foi revelado o foi por Deus, portanto sem erro. Deus não pode errar logo a Bíblia é inerrante. “A Revelação é a atividade divina da auto revelação pela qual o Deus vivo revela algo do seu caráter e propósitos para a humanidade (Dt. 29:29; II Cor. 4:6). As Escrituras são um produto daquela atividade reveladora, seu resultado linguístico e sua incorporação escrita. Deus revela a si mesmo no plano da história por meio dos seus atos salvadores (At. 2:11), e no plano da verdade por sua Palavra misericordiosa (Is. 55:11) ¹”.
Afirmar que a Bíblia contem erros é desconhecer a mais elementar das disciplinas teológicas, Bibliologia que aprendemos no primeiro semestre de um curso teológico. A bíblia em todo seu conteúdo é inerrante. É inerrante em termos de ciência, história, literatura, genealogia etc. A Bíblia não entra em detalhes sobre pontos científicos, mas aquilo que ela afirma sobre ciência é verdadeiro. O que não podemos esquecer é que os escritores sagrados falaram daquilo que presenciaram, experimentaram e viram na linguagem e conhecimento de seus tempos, o que é algo normal em toda história. Quando Josué diz que o sol parou era natural para um homem de quase 4000 anos atrás, pois para aquela sociedade o que eles viam era o sol nascer e se por o que caracterizaria um movimento do sol e não da terra como o conhecemos hoje.
Porque se há erros na Bíblia quais partes são Verdadeiras e Quais são Erradas?
Um padrão errado não forma uma medida exata de verdade e do erro. A Bíblia é a nossa regra de fé e prática, mas se ela possui partes erradas não serve como nosso padrão , pois não teremos como discernir quais são as partes certas e quais são as erradas. A exatidão ou inerrância é a consequência natural da revelação e da inspiração das Escrituras. Como disse John Wesley: "Se existe qualquer erro na Bíblia, pode bem haver milhares. Se existe uma única falsidade neste livro, ele não veio do Deus da verdade". A inspiração bíblica é totalmente incompatível como o erro. O Senhor Jesus teve total confiança nas Escrituras Mt. 22:29).
Porque a Possibilidade de Erros na Bíblia Apresenta Problemas Sérios a Serem Resolvidos. Abordarei somente dois:
1 - O Primeiro problema é a redução do cânon.
Somente teremos certeza dos escritos sagrados naquilo que se referir às questões de fé e prática. Surge imediatamente a questão hermenêutica a respeito de quais as partes da Escritura dizem respeito à fé. O principal ingrediente ativo na hermenêutica de Bultmann é este. Bultiman achava que deveriamos revemover a "casca" histórica pré-científica e errônea da Escritura para chegarmos ao grão viável da fé. Com essa abordagem teriamos uma redução do Cânon e nossa Bíblia seria menos exata do que cremos ser e consequentemente menor, forçando a cristandade a exercer um juizo de valor para selecionar quais as partes deveriam ser aceitas e quais deveriam ser descartadas ou preteridas, coisa que a igreja nunca fez a não com alguns herejes como Marcião fez ao desprezar o A. Testamento e os demais escritos neotestamentários ficando somente com as cartas de Paulo.
2 - O Segundo problema sério e da relação entre fé e história.
Se limitarmos a ideia de inerrância às matérias de fé e prática, o que acontece com a história bíblica? Podemos reduzir ou negociar o substrato histórico do Evangelho? Será que somente aquelas partes da narrativa bíblica que claramente dizem respeito a fé são inerrantes? Se retirarmos as partes históricas dos evangelhos eles serão criveis somente porque a igreja resolveu crer e professar? Os evangelhos se sustentarão sem os fundamentos históricos?  Sem os fundamentos históricos do evangelho não teremos evangelho nenhum. As datas, os locais, as personagens e os fatos relatados no Novo Testamento são todos verídicos e comprovados pela história. 
Caio Fábio afirma que Deus tem outros livros infinitamente melhores que a Bíblia.
Se Deus tem outros livros infinitamente melhores que a Bíblia, Ele não é digno de crédito porque nos ofereceu o inferior dizendo que era superior. Se existem outros livros superiores à Bíblia então estamos crendo em algo sem valor eterno e nossa esperança se fundamenta em um subproduto de um deus indigno.
Não! Caio Fábio delira e cria fábulas para um povo que está sedento por um doutor conforme suas próprias concupiscências. Deus não tem outro nem outros livros superiores à Bíblia porque somente a Bíblia tem e é a única revelação escrita de Deus. A Bíblia traz o conhecimento da grande obra salvadora de Deus em Cristo Jesus e isso é superior a tudo o que o homem pode imaginar. De onde Caio Fábio tirou essa ideia que Deus tem outros livros superiores à Bíblia? Heb. 1:1 "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho...".
Para Caio Fábio os apóstolos e profetas do N. Testamento basearam-se somente na revelação de Jesus Cristo e não no Antigo Testamento.

Se esta afirmativa estiver correta acarretará uma desarmonia, pois sem o fundamento do A. Testamento teriamos um Jesus saido do nada. Ele veio cumprir o A. Testametno, pois Cristo era o antitipo dos tipos lá representados pelas figura dos holocaustos, diversas ofertas e objetos relacionados ao culto veterotestamentário. Os apóstolos viram nos antitipos do A. Testamento Cristo e demonstraram isto para as comunidades de fé espalhadas pelo imperio romano através de suas epístolas.
A grande verdade é que parece que Caio Fábio adotou a forma de pensamento que aceita a Bíblia como livro sagrado com Inspiração Limitada e não com Inspiração Plenária e consequentemente inerrante. 
Quando nos voltamos para histórica eclesiástica ficamos totalmente convencidos que a maioria esmagadora da igreja cria, praticava e pregava a inerrância e a infalibilidade das Escrituras.
Cada pensamento e palavra da Bíblia foram inspirados pelo Espírito Santo. Em II Tm. 3:16-17 o apóstolo Paulo nos diz: "Toda a Escritura e divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redaguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruido para toda boa obra". Sim, toda Escritura é divinamente inspirada. Clemente de Roma - ano 110 A.D. - escreveu acerca das Escrituras que são "ditos do Espírito Santo" e "ditos através do Espírito Santo". Os apologistas da metade do Séc. II são ainda mais explicitos do que os seus antecessores. Teófilo fala de Moisés escrevendo a lei, mas se refreia dizendo: "Ou melhor, a Palavra de Deus através dele". Cipriano de Cartago - 240 A.D. - dizia: "o Espírito Santo diz" referindo-se à Bíblia. Tertuliano - 160 - ca. 220 A. D. era o mais teologicamente articulado de todos, dizendo, não somente que tudo quanto era escrito nas Escrituras era útil, mas também que as Escrituras eram as "palavras", "letras" e a própria "voz de Deus". Estes eram os conceitos dos pais da igreja sobre a Bíblia. Orígenes foi o mais erudito da igreja primtiva. Para ele, a inspiração se estendia até aos iotas das Escrituras e às letras. Para Orígenes as Escrituras não continham falha alguma, sendo inspiradas pelo Espirito Santo. Acrescentou que esta doutrina (inerrância das Escrituras) era ensinada em todas as igrejas. Era assim que os pais da igreja viam a Palavra de Deus como revelação plena e inerrante, bem ao contrário do que Caio Fábio afirma que a igreja via as Escrituras sob a ótica da hermenêutica constantineana, ou seja, que tudo passou a ser regulado pelo prisma dos grandes concílios universais da igreja. Vale lembrar que o Concílio de Nicéia (325 A.D.) patrocinado por Constantino, imperador de Roma, ocorreu aproximadamente 180 anos depois dos primeiros pais da igreja. Os concílios não debateram unicamente interpretações bíblicas ou mesmo impuseram uma hermenêutica sobre a igreja, mas traçaram e delimitaram os ensinos sobres as grandes controvérsias da época, dentre elas a cristologia.
Na idade média encontramos uma massiça afirmativa sobre a infalibilidade das Escrituras. Gregório Magno, Boaventura, Abelardo, Guilerme de Occan e outros eram unânimes em afirmar a infalibilidade das Escrituras. Se entramos na Reforma Protestante a partir de 1517 encontraremos um de seus pilares que era a Sola Sscriptura. 
Creio que o delírio de Caio Fábio deve-se ao seu isolamento e consequente distanciamento dos fundamentos reformados que trouxeram a igreja até os tempos presentes. Uma pena saber que uma pessoa como Caio Fábio tenha abandonado a simplicidade das Escrituras e os fundamentos históricos. Talvez ainda haja tempo para uma profunda metanoia. 
Soli Deo Gloria

Pr. Luiz Fernando R. de Souza